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O concerto de ontem à noite da Amazônia Jazz Band, “In the movies”, repetiu a costumeira excelência dos músicos e do seu regente, o maestro Nelson Neves, e foi, para os amantes do cinema, duplamente feliz. A banda começou logo com a impactante “Zarathustreviseted“, com direito a cenas impagáveis, transmitidas no telão, do filme  “2001: Uma Odisseia no Espaço“, de Stanley Kubrick.
O alemão Richard Strauss (que não tem parentesco com os Johann Strauss, pai e filho, das valsas vienenses) compôs a sinfonia “Also Sprach Zarathustra (“Assim Falou Zoroastro”), de longe a mais importante de todas as suas peças, a mais perfeita em forma e riqueza de conteúdo quando tinha 32 anos, em 1896, inspirada no livro homônimo de Nietzche escrito em 1885, a fim de transmitir uma ideia da evolução da raça humana desde a sua origem, através de várias fases de desenvolvimento, tanto religioso quanto científico, com a ideia do Super-Homem de Nietzche. E muita gente não sabe da antológica versão do brasileiríssimo Eumir Deodato para a abertura do poema sinfônico. Um dos criadores e maiores expoentes do gênero fusion (jazz com influências de rock), seu disco Prelude, de 1972, apresentou inusitada versão cortada para um single de pouco mais de 3 minutos (a versão original tem 9 minutos) e alcançou o número 2 na parada geral da Billboard e ganhou o Grammy de Melhor Instrumental Pop do Ano. 

A segunda música do repertório da noite foi “James Bond Theme”. Há 50 anos, o espião mais famoso de todos os tempos se apresentava ao universo cinematográfico com o filme 007 Contra o Satânico Dr. No, estrelado por Sean Connery e dirigido por Terence Young em 1962, e com aquela cena memorável da estonteante Úrsula Andress saindo do mar a bordo de um biquíni branco, uma ousadia tremenda, verdadeiro escândalo à época. Pois bem, para ilustrar e incendiar ainda mais a imaginação dos fãs, o maestro Nelson Neves revelou durante o espetáculo que, adolescente, foi escondido assistir ao filme, em um cinema da Av. Nazaré. Um marco, de fato.

A terceira música foi a genial composição de Ennio Morricone “The Good, the Bad, the Ugly”, trilha sonora do western “O Bom, o Mau e o Feio” ou “Três Homens em Conflito”. O público delirou ao ouvir a peça e rememorar no telão as cenas de Clint Eastwood duelando à beira de covas abertas, ao lado de Eli Wallach e Lee Van Cleef, tão brutos e desapegados quanto ele e unidos pelo destino, tendo como pano de fundo a Guerra Civil nos EUA.

Depois veio “Addio a Cheyenne“, também de Ennio Morricone, um de seus mais impressionantes trabalhos, imortalizado por Sérgio Leone no cinema, no lendário “Era uma Vez no Oeste”.

Em seguida, foi executada a trilha de “Star Wars“, de John Williams. A menos que você tenha vivido exilado no Lambator, no deserto de Taooine ou nos pântanos de Dagobah pelos últimos anos, conhece a empolgante saga, que transcende gerações. O famosíssimo “Main Title“, composto para ser o tema heroico do personagem Luke Skywalker em “Uma Nova Esperança“, abalou o Theatro da Paz.

Linda e loira, a soprano Luciana Tavares interpretou as românticas “My Heart  Will Go On”, de James Horner, tema de “Titanic“; The Way You Look Tonight”, clássico da música popular norte-americana, composta por Dorothy Fields e de Jerome Kern em 1936 para o filme “Ritmo Louco” (“Swing Time“), comédia romântica que tinha como par central Fred Astaire e Ginger Rogers. Também foi trilha sonora de “O Casamento de meu melhor Amigo” (versões com Michael Bublé, Tony Bennett e Rod Stewart) e “O Pai da Noiva“, refilmagem com Steve Martin. Luciana cantou também “When You Wish Upon a Star”, tema do filme “Pinóquio“, composto em 1940 pela dupla Leigh Harline e Ned Washington, que ganhou o Oscar de melhor canção original e também de melhor trilha sonora e se tornou a primeira produção da Disney premiada com Oscar em categoria competitiva, já que “Branca de Neve”  rendeu, em 1939, uma estatueta honorária e personalizada a Walt Disney por ser o primeiro filme inteiramente animado do cinema norte-americano. E, ainda, “Skyfall”, composição de Adele Adkins e Paul Epworth, outro tema de 007

Por fim, a Amazônia Jazz Band tocou “Whiplash”, de Hank Levy, trilha sonora do drama musical escrito e dirigido  por Damien Chazelle, no qual Milles Teller (o novo Sr. Fantástico do cinema) vive um baterista de jazz que frequenta uma das melhores escolas de música do mundo e mostra a transgressão do jazz nos tempos do politicamente correto.
“Live and Let Die”, trilha de “Com 007 Viva e deixe Morrer“, estrelado por Roger Moore e feita por ninguém menos que o beatle Paul McCartney e Linda McCartney, foi a última peça do repertório do concerto. Aliás, os Guns N’ Roses também ajudaram a popularizar essa música nas décadas de 80 e 90 para a turma roqueira. 

O Theatro da Paz estava completamente lotado e a Amazônia Jazz Band foi aplaudida freneticamente de pé, por todos. O bis, claro, foi um eletrizante repeteco de 007.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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