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O Clube do Remo começou mais uma competição repetindo um roteiro que já se tornou preocupante: atuação abaixo da crítica, falta de intensidade e a certeza de que o torneio não é prioridade. A estreia com derrota na Copa Norte, para o Porto Velho-RO, no estádio Aluízio Ferreira, apenas escancarou um comportamento que vem se arrastando desde o início da temporada: o clube escolhe, de forma seletiva, quando competir de verdade. E, de certa forma, há boa dose de razão nessas escolhas.

Não é de hoje que o Remo parece “não dar bola” para competições paralelas. Foi assim no Parazão, quando o time adotou uma postura de rodízio exagerado e acabou pagando caro. A consequência foi direta: derrota no clássico contra o Paysandu, no primeiro jogo da final, e a demissão do técnico Juan Carlos Osório poucas horas depois do revés por 2 a 1.


Desde o início do ano, o Remo lida com um elenco inchado, repleto de testes, improvisações e mudanças constantes. Esse mesmo cenário se repete agora. O chamado “time B” do Remo entra em campo sem intensidade, com erros básicos e pouca organização. É um time que não treina – e a maior parte dos jogadores demonstra pouco empenho nas partidas.


Por óbvio, a prioridade é a Série A, com a Copa do Brasil –  na qual o Remo enfrentará o Bahia em jogos de ida e volta – logo em seguida no nível de importância. Ainda assim, as demais competições, embora menos relevantes no calendário deste ano, não deveriam ser negligenciadas: elas são fundamentais para dar oportunidades a jogadores da base, oferecer ritmo a atletas que orbitam o time principal e, sobretudo, construir casca, competitividade e mentalidade vencedora.


Ignorar esse processo é repetir erros recentes – e o torcedor já viu onde isso pode levar, inclusive porque, para além dos resultados imediatos, é também a marca institucional que está em jogo. Tratar competições como descartáveis não é estratégia – é erro recorrente. O Remo pode até priorizar o Brasileirão, mas não pode normalizar atuações apáticas e derrotas evitáveis.
Porque, no fim, não existe “time B” na história: o vexame é sempre do clube.



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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