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140 anos do Acará

Terra do pioneiro da Aviação Júlio César Ribeiro e da atual maior produção de farinha d’água no Brasil, a vila de São José do Acará, próxima a Belém, fazia parte da região agrícola mais
importante do Estado do Grão-Pará, em torno dos rios Guamá, Moju, Capim e
o próprio Acará. Palco de revoltas, formação de quilombos,
de emergência de lideranças como Felipe Patroni, irmãos Angelim, Félix Clemente Malcher e Agostinho Moreira, foi também refúgio de ativistas políticos. O preto Félix Gonçalves,
por exemplo, escravo temido no Acará, teria conduzido, em 1836, no mínimo 400 outros
escravos nas invasões de terra e destroços nesta vila e arredores, durante o período áureo da
Cabanagem. Para se ter uma ideia de sua importância histórica, no Acará foi concedida a primeira sesmaria (1707) do Estado do Grão Pará. 

Neste 140º aniversário do município, há espaço para a poesia das narrativas orais dos habitantes locais. A história da Cobra Grande do Acará, por exemplo. Lá, contam que, no limite com Tomé-Açu, no rio tem uma cobra enorme que fica atravessada e que à noite só se vê os olhos dela. Dizem que um tempo desse, quando ela mudou de lugar, houve um desabamento de terra, caiu até mangueira, só que as
árvores não foram encontradas. Diz que as árvores afundaram…. E também contam a história de que nesse mesmo rio de Acará, após a morte de um pescador, foram alguns mergulhadores procurar o corpo e não encontraram e um mergulhador voltou falando que nesse rio tem um bicho muito feio, muito feio mesmo, tanto que ele não queria falar para ninguém, de modo a não espantar as pessoas que utilizam o rio para sobrevivência, como beber água, tomar banho, lavar roupa, pesca e etc… Mas que…se as pessoas soubessem da existência desse bicho, que fica no fundo do rio…nem entrariam n’água. (Narrativa do acervo do projeto Ifnopap (O Imaginário nas Formas Narrativas Orais Populares da Amazônia Paraense), coletada pela pesquisadora Socorro Simões).

Na foto, comunidade quilombola do Acará.

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