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Somos todos Marielle! Justiça!

A execução de Marielle Franco, mulher negra nascida no complexo da Maré, uma das comunidades mais violentas do Rio, que se tornou ativista pelos Direitos Humanos, vereadora, socióloga e mestre em Administração Pública, não pode ser mais um exemplo da impunidade que grassa no Brasil e que, de mãos dadas com a corrupção, eterniza a desigualdade social e as desgraças que se abatem sobre todos nós, brasileiros ou não, que habitamos este país.


Marielle Franco tombou assassinada por uma saraivada de nove balas do crime organizado, aos 38 anos, deixando órfã sua filha de 20, não à toa em pleno centro do Rio, a cem metros de uma estação de metrô e a 700 metros da Prefeitura e da Câmara Municipal, quando voltava de um evento chamado “Jovens Negras Movendo as Estruturas”. É igualmente emblemático que recentemente assumira a relatoria da comissão da Câmara criada para acompanhar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, e no sábado passado usara o twitter para denunciar o 41° BPM, que chamou de “Batalhão da Morte”.

Mataram Marielle claramente de propósito para calar todas as vozes que se erguem contra a violência, para afrontar o Estado Democrático de Direito e para sinalizar que o Rio – e todo o Brasil – está tomado pelas forças do Mal, que sobre nossa nação pairam todo tipo de ameaças e que existe uma lei não escrita que condena à morte todos os que não se submetem a ela. Querem formar uma geração apática fruto do medo que prefira ser de covardes vivos do que heróis mortos.

Tenho na lembrança os ex-deputado Paulo Fonteles e João Batista, que denunciaram incontáveis vezes na tribuna da Assembleia Legislativa do Pará uma lista de marcados para morrer e foram executados à luz do dia, também na faixa etária dos 38, para intimidar a todos, inclusive o Poder Legislativo. Seus filhos, na mais tenra idade, foram privados do convívio familiar, e os tempos sombrios atuais derivam de décadas de crimes tais que se revelaram impunes. Políticos, religiosos, advogados, jornalistas, todos os que se insurgem e denunciam passam a alvo preferencial. 

As Polícias – Civil, Militar e Federal -, as Forças Nacionais, os governos, os parlamentares, os magistrados, o Ministério Público e toda a sociedade, em uníssono, precisam dar a única resposta: não permitiremos que a violência e o crime disponham de nossas vidas! 

Queremos e podemos viver em paz, ser felizes, cuidar bem de nossos filhos, livres para expressar sentimentos e pensamentos! Livres e capazes de construir um futuro mais digno, que não seja ceifado pelo terror!

Choro por Marielle, penso em sua filha e em todos os desamparados. Que sua memória, que seu exemplo de luta nos dê forças para nunca silenciar diante das injustiças! Marielle viverá para sempre dentro de cada um de nós, homens e mulheres que têm princípios morais e éticos, que cultivam a cidadania e os direitos humanos!

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