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A primeira deputada estadual paraense, Rosa Pereira, foi eleita em 1947, pelo Partido Social Democrático (PSD), e seus dois mandatos foram marcados pelo forte engajamento na luta pelos direitos das mulheres. Uma das lembranças de seu pioneirismo nessa luta é a sua única foto disponível: ela é a única mulher no meio de vários políticos homens, incluindo o então governador Magalhães Barata.  

Esta e outras histórias podem ser conhecidas pelos visitantes da exposição “Mulheres na política: a luta paraense pelo voto feminino”, no hall de entrada da Assembleia Legislativa do Pará (rua do Aveiro, nº 130, Cidade Velha, em Belém), aberta até a próxima segunda-feira, 13 de março, das 8h às 14h

Os painéis revelam a luta das mulheres parauaras pelo voto, participação política, igualdade de gênero e direitos civis, a expansão do movimento feminista no Pará e a biografia de todas as deputadas estaduais paraenses. A curadoria é do historiador Thiago Bezerra Viana, o acesso é livre e gratuito e a mostra é resultado de pesquisa do Acervo Histórico da Alepa, integrado por nove servidores e coordenado pela diretora legislativa, Dilma Antunes. 

O núcleo do Acervo foi criado em 2013 pelo presidente da Casa, deputado Márcio Miranda, com a missão de resgate histórico. “O parlamento produz história todo dia, mas não cuidava da sua própria história. Nós temos, aqui, leis importantíssimas, que mudaram a vida dos paraenses e do Estado e intervieram em vários momentos e todo esse acervo estava perdido. Esse é mais um trabalho da Comissão de Acervo e agora nós criamos uma diretoria para valorizar esse potencial que o Parlamento tem e para que a gente possa deixar isso para as próximas gestões, para que estudantes e pesquisadores possam ter acesso a esse manancial de informações”, explicou o presidente, realçando que a exposição é uma forma de homenagear as mulheres do mundo, do Brasil, do Pará e da Alepa, retratando as mulheres na vida política, uma forma de conhecer e reconhecer a importância do trabalho das mulheres e dar continuidade ao trabalho de resgate da memória do Legislativo. 

Documentos e fotografias datadas do século XIX, quando começaram os primeiros movimentos feministas e sufragistas no Pará, e que estavam espalhados pelo Arquivo Público Estadual, Instituto Histórico e Geográfico e em vários setores da Alepa, compõem a exposição, que poderá ser levada para qualquer escola que manifestar interesse. 
A vice-presidente da Alepa, deputada Cilene Couto (PSDB), lembrou que ainda há muitas lutas pela frente até que se alcance igualdade de direitos. “É extremamente importante o papel da mulher no Parlamento, mas a nossa representatividade ainda é muito pequena, ainda há distorções em relação à igualdade de gênero. Então, nós precisamos somar forças, no sentido de procurar mudar essa realidade. Venho somar na busca para vencer coisas como a erradicação do preconceito contra a mulher, as diferenças salariais no mercado de trabalho, e algo que nos incomoda muito, que é a violência contra a mulher, uma prática repugnante e covarde”.

Todo esse acervo está sendo digitalizado e em breve será publicado no portal da Alepa, de modo que a população possa ter acesso a essas informações, que são muito ricas e revelam parte da história do Pará.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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