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Molho santareno

Em abril de 1973, eu tomava posse como Suplente de Juiz Presidente da Junta de Conciliação e Julgamento de Santarém (atual Vara do Trabalho). Tinha apenas 25 anos de idade.

Naquele ano foi inaugurado o Hotel Tropical de Santarém, administrado pelo Grupo VARIG. Na inauguração, houve apresentação de músicas santarenas. Assim, a VARIG formulou um convite para um concerto de músicas santarenas em Porto Alegre, sede da empresa.

E lá fomos nós para as terras gaúchas.

O grupo de artistas de Santarém foi integrado por Wilson Fonseca (maestro, compositor, poeta e pianista), Emir Bemerguy (poeta), Edenmar da Costa Machado (Machadinho, cantor e violonista), Antônio Waughan (cantor), Vicente Fonseca (compositor e pianista), Laudelino Silva (compositor e cavaquinista), Moacir Santos (compositor e violonista) e Alfonso Gimenez (fotógrafo).

Viajamos de Santarém para Porto Alegre, com escalas em Belém e pernoite no Rio de Janeiro, com todas as despesas pagas pela VARIG.

No embarque em Santarém, houve logo um problema com o Moacir Santos, pois ele não dispunha de qualquer documento. Na condição de magistrado, fui obrigado a interferir e me responsabilizar pelo seu embarque.

Mas outros fatos curiosos aconteceram ainda naquela viagem.

Quando viajávamos de Belém para o Rio de Janeiro, o Laudelino Silva “confundiu” a toalhinha úmida, distribuída pelas comissárias para limpar as mãos e o rosto, e, pensando que se tratava de “tapioquinha”, lascou uma mordida para “provar” um pedaço do apetitoso “alimento”… Foi uma gozação geral.

Ao chegarmos no aeroporto “Santos Dumont”, no Rio de Janeiro, para pernoitar, o Laudelino apanhou uma mala, imaginando que fosse sua. Então, apareceu um “gringo” tentando explicar-lhe que a mala não era do Laudelino, mas do gringo. Instalou-se uma breve discussão. O Laudelino falava que “esses gringos vêm para o Brasil para roubar a gente” etc. (é claro que o “gringo” não entendia patavina). Afinal, verificou-se, com a ajuda de funcionários do aeroporto, que a mala era realmente do “gringo” e não do Laudelino. Bastou conferir a papeleta de despacho de bagagem… Daí em diante, a turma passou a chamar o Laudelino de “ladrão de mala”…(de brincadeira, claro). Mas ele pegava “corda”.

Saindo do aeroporto, deveríamos ir para o hotel. O Laudelino – que logo avisou que conhecia o Rio de Janeiro – fez sinal para apanhar um táxi. Entrou no veículo e deu o lugar de destino: “Hotel Santos Dumont”. Acontece que o hotel ficava do outro lado da praça, em frente ao aeroporto. Portanto, a “bandeirada” do táxi nem chegaria a mexer… O motorista quase expulsou o Laudelino do táxi e sugeriu que ele carregasse as malas e fosse a pé para o hotel ali pertinho… Parece que fez um acordo com o motorista sobre o preço da corrida…

Outro grupo foi para o Hotel Glória, no Rio. E ali tivemos a grata surpresa da visita do Miguel Augusto. Ele, então, nos levou (papai, Emir, Moacir e eu) para passear na “Cidade Maravilhosa”, naquela noite.

Fomos ao Corcovado. Mas aí houve um impasse. O Moacir sofre de “vertigem das alturas”, de modo que ele não conseguia subir as escadas, quando chegamos próximo ao Cristo Redentor. Ficava muito tonto. Moacir tinha vindo lá de Santarém, mas – depois de subir o morro, no bondinho terrestre – ficou com medo de subir as escadas para poder ver mais de perto a famosa imagem do Cristo Redentor. Ele quase vomitou e não tinha onde esconder a cabeça de tanta tontura. Parecia uma avestruz ou até mesmo “mocorongo” (no sentido pejorativo)…

No embarque do Rio de Janeiro para Porto Alegre, mais um problema. Não queriam deixar o Moacir seguir viagem, pois, como disse, ele não tinha qualquer documento. Não adiantava falar que ele tinha embarcado em Santarém. Aí eu tive que, mais vez, interferir, como magistrado, para me responsabilizar por ele. Só que, dessa vez, houve um atraso de mais de uma hora. E quando o nosso grupo entrou no avião, fomos vaiados pelos passageiros que estavam dentro da aeronave todo aquele tempo, aguardando o embarque do Moacir… E era um vôo internacional, pois a aeronave seguiria depois para Buenos Ayres. Que vexame…

Enfim, chegamos em Porto Alegre.

O concerto dos artistas de Santarém foi um sucesso. Até o papai e o Emir cantaram. Eu creio que tenho uma foto que retrata este aspecto. A casa estava lotada e a platéia nos aplaudiu demoradamente. Houve também uma apresentação de duas mocinhas, que dançaram e cantaram músicas típicas do folclore gaúcho.

No final do concerto, a platéia pediu que apresentássemos músicas de carimbó. O Antônio Waughan (acostumado a cantar em conjuntos de baile) não se fez de rogado. Eu fui para o piano, o Machadinho e o Moacir, no violão, o Laudelino no cavaquinho, e os outros na percussão improvisada ou ajudando no canto. O concerto virou uma festa. Todos dançaram empolgados com o ritmo contagiante do carimbó paraense.

Era 8 de dezembro, dia da Festa de N. S. da Conceição, Padroeira de Santarém e também de Porto Alegre.

Foi realmente um momento de glória para a música santarena, brilhando no extremo sul do País.”

(relato saboroso ao blog feito por Vicente Malheiros da Fonseca, desembargador federal do Trabalho, músico e professor de Direito).

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