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Estranheza

Os últimos dias têm sido estranhos. A conveniência dos acordos eleitorais dá uma sensação de estranheza fora do comum e faz-nos amargar um gosto travoso na garganta. Como se as coisas estivessem indo para além dos limites da ponderabilidade. Podem dizer que nem Freud explica, se quiserem, mas a verdade é que ele explica sim, e tem uma palavra para issounheimlich, estranheza, coisa que se sente quando as conveniências da realidade superam a própria realidade. Quando se peca pelo excesso simbólico…

Vejo as coisas assim:

1) Receber o apoio político do PTB é excelente – porque governar e construir (e, ouso acrescentar, respeitar) alianças e o PTB possui um capital político importante, formado não apenas pela prefeitura de Belém mas também por outros municípios.

2) Repassar a quota-parte do ICMS devido pelo governo estadual à prefeitura de Belém é justo – ainda que, neste momento, vá ser visto, apenas, como um acordo eleitoral, e não como a reversão da política revanchista e autoritária dos governos do PSDB, que não repassaram, quando deviam, os recursos que cabiam a Belém porque o PT a ocupava, naquele momento.

3) Negociar o apoio do PT ao projeto do executivo municipal que municipaliza os serviços de abastecimento de água em Belém, abrindo a possibilidade de privatização da Saaeb – o sistema municipal de água – passando por cima de uma luta histórica, é inadmissível.

E tudo fica mais estranho quando vemos a aproximação do PT ao DEM.

PSDB e DEM são os rivais principais, o marco de luta, o oposto necessário. Alguém já disse que, quando se é político a primeira tarefa é eleger um inimigo principal. O PT fez isso. Lula fez isso. O inimigo principal é o projeto neoliberal encabeçado por esses dois partidos. É contra esse projeto que Lula governou e começou a reconstruir um estado desfe
ito.

Então, como é que pode, agora, do nada, surgir uma possibilidade de aliança com o DEM?

A questão é: vale à pena trocar um capital simbólico e político valiosíssimo, construído com o sacrifício de muitos, por uma aliança eleitoral conjuntural?

No futuro, um eleitor petista – e estou falando de alguém que faz parte daqueles 25% da sociedade que votam no PT independentemente de quem é o candidato – poderia até se sentir à vontade para votar num Vic Pires Franco ou numa Valéria… nunca se sabe. Isso equivale a jogar no lixo o capital político construído.

Ainda que saibamos que essa aliança dificilmente envolverá a cessão da segunda vaga ao senado para o DEM, ainda que saibamos, no caso da Saaeb, que a municipalização do serviço não significa, imediatamente, a sua privatização, e que o governo estadual poderá fazer os investimentos necessários, nos serviços de água de Belém para, com isso, evitar a privatização, o jogo que está sendo jogado tem um ar de estranheza.

Uma boa definição do que é a política, me parece, é a de transformar o que é unheimlich em um coisa heimlich, digamos… mas há limites para tudo, no campo simbólico. Será que dá, nesses dois casos?

O que me fica é que confirmou-se vencedor um projeto que, desde o primeiro momento, disputava espaço no governo Ana Júlia: o projeto da aproximação com o PTB e com o PR. E, ouso ir mais adiante, o projeto que convocava setores desses partidos para uma aliança tão ampla que ia além do âmbito meramente eleitoral.

A imprensa e mesmo os adversários políticos, tenho impressão, nunca perceberam bem essa dimensão da disputa interna; sempre observaram o que chamam de “núcleo duro” como uma coisa realmente “dura”, ou seja, politicamente compacta. Pouco se interessaram pela luta interna dentro da luta interna. Ou pelos projetos representados por cada um dos que disputaram espaço político dentro do governo.”

(Fabio Fonseca de Castro, doutor em sociologia, professor da UFPA e pesquisador no programa de pós-graduação “Comunicação e Cultura na Amazônia”, ex-secretário de Estado de Comunicação do Pará e petista de carteirinha, em seu blog Hupomnemata).

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