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A privatização da CELPA veio acompanhada da promessa de melhoria dos serviços de distribuição de energia elétrica no Pará.

Tive, no início, a impressão que os serviços melhoraram.

Agora essa percepção está quase completamente invertida.

Sou, como todos nós, consumidor compulsório da CELPA vivente em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, onde a interrupção do fornecimento de energia elétrica é, hoje em dia, pela minha percepção, bem maior do que nos tempos da velha CELPA estatal.

A degradação dos serviços é perceptível pelo senso comum. Em minha casa já cheguei a ficar cerca de 24 horas sem energia elétrica. No restaurante que frequento, na Travessa Dom Pedro I, no Umarizal, dia desses faltou luz desde as duas da tarde até altas horas da noite, obrigando o fechamento da casa. Em uma dessas interrupções do fornecimento de energia para minha casa resolvi dialogar com o teleatendente até o limite da exaustão, minha e dele. Lá pelas tantas, depois de muito puxar pela língua dele – e minha – consegui uma informação que até então ignorava: o Centro de Atendimento ao Cliente – CAC da CELPA fica em Cuiabá, capital do Mato Grosso! Por isso o teleatendente não sabia coisas elementares sobre Belém e arredores, o que dificultava o entendimento (e facilitava o desentendimento). Perguntei se ele sabia a quantas andava meu DEC e meu FEC. Ele não sabia do que se tratava e pediu um tempo para consultas. Parêntesis para passar a definição dessa sopa de letrinhas: DEC é Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora e FEC é Freqüência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora. Depois de alguns minutos de musiquinha o teleatendente esclareceu que em lugar desses dois indicadores eu já era informado mensalmente, na conta, de três outros indicadores: DIC – Duração de Interrupção Individual (horas), FIC – Frequência de interrupção individual (vezes) e DMIC – Duração Máxima de Interrupção Contínua.

Desse papo com o teleatendente ao dia de hoje a prestação dos serviços pela CELPA foram degradados mais ainda, apesar da injeção de recursos públicos e do implante de um diretor indicado pelo Governo Federal. Até onde estou informado, faltam alguns punhados de reais para a reestatização. E, cá para nós, a degradação dos serviços parece coisa feita, deliberada, para forçar esse movimento do poder concedente e, quem sabe, a reestatização da CELPA. Há precedente famoso (da Light, novamente estatal de segundo grau, porque controlada pela CEMIG, a estatal mineira).

Agora, o que era percepção pelo senso comum já foi medido e está documentado na minha conta de luz de abril de 2010, mês em que a DIC – Duração de Interrupção Individual ficou em 5,3 horas (roçando no padrão ANEEL, 5,43 horas), a FIC – Frequência de interrupção individual foi de 6 vezes (o dobro do padrão ANEEL, 3,00 vezes) e a DMIC – Duração Máxima de Interrupção Contínua ficou barato, 1,72 hora (dentro do padrão ANEEL, 3,11 horas). O resultado é que recebi na mesma conta um crédito de R$105,41 por violação da meta desse indicador. Sinceramente, não me consola o crédito, pois o que quero mesmo é ter o serviço por inteiro. Aliás, essas metas da ANEEL, para meu gosto pessoal, são muito baixas e pouco desafiadoras. E o valor do crédito pela violação da meta é baixo o bastante para incentivar o descumprimento da meta.

Estou me preparando psicologicamente para o aumento da degradação dos serviços da CELPA, portanto. E também para, mais adiante, quando for oportuno aos controladores da concessionária, sua reestatização completa.

E torcendo para que eu esteja redondamente enganado.”

(Post pinçado do Blog do Alencar)

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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