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Depois de dezessete anos de luta das comunidades extrativistas, hoje, 21, Dia Internacional das Florestas, o presidente Lula assinou três atos: a criação das reservas extrativistas Viriandeua e Filhos do Mangue, que abrangem os municípios de Salinópolis, São João de Pirabas, Primavera e Quatipuru, no Nordeste do Pará, onde vivem cerca de sete mil famílias marisqueiras e pescadoras, e a Comissão de Gestão de Florestas Públicas (CGFlop) do país, que prevê a coordenação entre conservação ambiental e exploração sustentável da floresta. Os atos serão publicados amanhã no Diário Oficial da União. Estavam presentes na cerimônia as ministras Marina Silva, do Meio Ambiente; e Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas; o ministro Sílvio Almeida, dos Direitos Humanos, e várias outras autoridades. Marina fez questão de destacar que o governador do Pará, Helder Barbalho, foi parceiro na luta pelas resex.
O presidente comentou: “Hoje temos que lembrar dos povos da floresta que fazem esse importante trabalho de conservação, além das servidoras e servidores ambientais do Brasil. Um país com uma das maiores biodiversidades do mundo tem o dever de proteger e ser referência em políticas públicas de preservação dos biomas. É isso que estamos fazendo.”
A criação das reservas extrativistas não servirá apenas para preservar um ecossistema, mas vai possibilitar o uso econômico e social com equilíbrio ambiental. Será importante para minimizar os impactos ambientais e garantir a permanência das populações que já residem ali e sobrevivem da extração de caranguejo e da pesca. Esses moradores terão uma vida mais digna com garantia da terra, do direito de trabalhar na floresta e acesso a programas sociais de saúde, educação e habitação.
Viriandeua vem do Tupi e significa “território de pássaros”.
O ambientalista Alan Amorim, um dos líderes do movimento para a criação das Resex, explica que a proteção ambiental da praia do Atalaia depende diretamente da preservação do mangue. “O mangue é um importante ecossistema, que serve de berçário, centro nutritivo e de multiplicação, gerando grande quantidade de peixes e mariscos por ano. A Zona do Salgado, no Pará, é uma das menos protegidas, apesar de ser a maior área contínua de manguezal do mundo.”
Hoje, o mangue está ameaçado pela pesca predatória e a extração sem controle de caranguejos, madeiras, minérios, palmeiras e castanhas, além pastagem de búfalos e o turismo desenfreado. Na área da Resex, em Primavera, há uma grande jazida de calcário, matéria-prima na fabricação de cimento.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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