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A construção da Alça Viária ensejou uma feliz descoberta: oito sítios arqueológicos ao longo do traçado do projeto, embora não atravesse áreas propícias para a ocupação humana antiga. Como a região apresenta um histórico de ocupação intensa desde o início da colonização da Amazônia, muitos sítios neotropicais foram destruídos, restando deles raras evidências de cultura material, em geral insuficientes para permitir um estudo mais profundo. Essa foto eu fiz quando da escavação e resgate do sítio colonial, com restos estruturais do Engenho Uriboca (calha), à margem direita do igarapé Uriboca, afluente do rio Guamá. No sítio, que já havia sido visitado pela equipe do Museu Emílio Goeldi, coordenada por Fernando Marques, em 1997, foram identificadas várias estruturas, como alicerces, provavelmente da casa grande ou fábrica. Do engenho, os pesquisadores identificaram obras hidráulicas construídas em alvenaria de pedra e tijolos maciços, correspondentes à barragem e à calha. Felizmente o sítio não foi afetado pelas obras ou pela proximidade dela. Ao contrário, em função da Alça Viária foram tomadas medidas de proteção para estudo e preservação do sítio. Aqui vai uma sugestão ao governo do Estado: fazer um circuito cultural para visitação pública desses oito sítios, com exposição das peças e painéis revelando a memória da região. Além de opção de lazer educativo, esses locais poderiam ser aproveitados como importante fonte de pesquisas e estudos acadêmicos.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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