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Após reiteradas tentativas, moradores do bairro do Reduto conseguiram nesta quinta-feira a presença de uma equipe para fazer a manutenção nos postes de energia elétrica com as lâmpadas queimadas há meses, situados na esquina da Rua da Municipalidade com o canal da Praça Magalhães, local soturno e ermo, ambiente ideal à prática de delitos. Pois os operários disseram que não poderiam executar o serviço requisitado porque a fiação elétrica tinha sido furtada e eles só trocam lâmpadas, uma outra equipe teria que ser demandada para substituir os fios. E assim os distintos cidadãos contribuintes continuam na completa escuridão e obrigados, mais uma vez, a andar de seca a meca, como diz o caboclo, e a ficar ligando para os canais telefônicos ouvindo intermináveis musiquinhas, embora a taxa de iluminação pública seja cobrada impreterivelmente junto com o consumo de cada unidade residencial. A Secretaria Municipal de Urbanismo terceirizou o serviço e lavou as mãos: não fiscaliza e jogou a responsabilidade para a população acionar o serviço, sendo obrigada, ainda, a informar não só o endereço exato como também a numeração de cada poste. Surreal.

Área contígua ao centro histórico de Belém do Pará, Zona Especial do Patrimônio Histórico declarada por lei, o bairro do Reduto, cenário industrial da Belém na belle époque, da Doca do Reduto no início do século XX, outrora com suas canoas coloridas repletas de paneiros de açaí, peixes e frutas, está passando por situação de completo abandono. As calçadas desniveladas com acessibilidade inexistente porque a Seurb não padroniza, com lixo do qual a Sesan não cuida, e troncos de árvores apodrecidos que a Semma não retira para implantar outras árvores que amenizem a temperatura escaldante, apontam a mobilização social por melhorias como a derradeira alternativa para um pouco de dignidade. Não têm sido poucos os assaltos e arrombamentos no bairro, furtos de hidrômetros e de fiação elétrica e telefônica, além de invasões dos casarões desabitados, cujas telhas, móveis e utensílios já foram pilhados, inclusive à luz do dia. Moradores dos prédios vizinhos assistem a tudo assustados com a desenvoltura e a certeza da impunidade. Ante os gritos de “pega, ladrão!” e “polícia!”, ainda são ameaçados pelos bandidos, que fazem gestos de arma com os dedos, apontando na direção das pessoas, e continuam seus crimes.

Meliantes em motos assaltam diariamente pedestres inclusive nas proximidades do Quartel Tiradentes, que fica na esquina da rua Gaspar Viana com a Av. Assis de Vasconcelos, principalmente usuários de ônibus que ficam nas paradas. No bairro há várias escolas de nível fundamental e médio e até instituições de ensino superior, lojas, academias e bancos, mas nada parece intimidar a bandidagem. Quando a PM prende, os assaltantes são liberados nas audiências de custódia e no outro dia já estão de novo assaltando, num círculo vicioso que desesperança a sociedade.

Um dos grandes problemas é a poluição sonora. As boates há anos perturbam o sossego público, sem qualquer revestimento acústico, com seus frequentadores gritando, brigando, atirando para o alto e ameaçando de morte madrugada adentro na rua, sem qualquer providência da Delegacia do Meio-Ambiente e demais órgãos que deveriam fiscalizar esses ambientes e jamais conceder licença para o funcionamento, exemplo disso é a tristemente famosa boate Vitrine, na Trav. Quintino Bocaiúva, entre as ruas Tiradentes e Aristides Lobo, da Sunrise, Pride, Deck Tulum e Barka. Uma arena licenciada para jogos faz festas com som em altíssimos decibéis, na Rua 28 de Setembro, muito além do permitido por lei, inclusive ultrapassando o horário e infernizando a vizinhança. Até o sistema Sesc/Senac/Fecomercio faz festas que varam a madrugada. E fica por isso mesmo, a população foi condenada a viver em uma cidade sem lei nem ordem pública. Isso precisa acabar.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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