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O Pará não é a casa da mãe Joana, mas se a sociedade não estiver permanentemente vigilante, o seu patrimônio – a exemplo de vários ícones que foram desmontados e hoje estão em lugar incerto e não sabido – acaba literalmente na lata do lixo. A CDP insiste em tirar da área portuária cinco guindastes e os armazéns 11 e 12, galpões de ferro erguidos pelos ingleses que construíram o porto de Belém em 1913, no início do século XIX, que são tombados como Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Estado, e montar em outro lugar, sem sequer definir como seriam utilizados – as alternativas apresentadas não passam de hipóteses.
Construídas no período áureo da borracha, as estruturas são exemplares da Belle Époque, quando o ferro dominou a arquitetura industrial em todo o mundo, e foram fabricadas na Inglaterra pela Schneider Company, a mesma que fabricou a ponte George V sobre o rio Sena, em Paris. O responsável pelas obras foi o engenheiro Percival Farquar, o mesmo que empreendeu a histórica estrada de ferro Madeira Mamoré.
Ora, desmontar os galpões e guindastes do Porto de Belém – onde os colonizadores portugueses montaram o núcleo inicial da cidade, ao lado da Fortaleza de São Pedro Nolasco, erguida em 1665 e que tem especial significado após o Movimento da Cabanagem, em 1825 -, e levar para Icoaraci, é o mesmo que transferir a igreja da Sé ou a Basílica de Nazaré para a BR-316.
Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, presidente da Academia Paraense de Jornalismo, membro da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

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