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A escada de peixes no rio Xingu

“Caríssima Franssi,
Por muito tempo, desde a adolescência, quando andava
por aquelas paragens que sonhava com uma barragem e uma escada para os
peixes.  Nem mesmo pensava em hidrelétrica e sim em comportas para
franquear a navegação, integrando todo o Vale do Xingu, desde o Mato Grosso, ao
grande caudal amazônico e, por conseguinte, ao mundo. Quanto à escada para
peixes apenas visava enriquecer a fauna a montante das cachoeiras com a enorme
variedade de espécies do resto da bacia, principalmente do Baixo Amazonas.
Sabe, Franssi, que “pras tuas bandas” de Santarém,
Prainha, Monte Alegre, Oriximiná, Obidos, Faro, e até Porto de Mós e Souzel no
Xingu tem um mundão de peixes que não tem em Altamira ou em todo o Xingu acima
de Belo Monte? De cabeça, no momento, posso citar alguns, todos teus
conhecidos: tambaqui, pirapitinga, jaraqui, cuiu-cuiu, ou cujuba, pirarucu,
peixe boi, jacaré-açu, aruanã, acará disco, pirarucurana, boto de qualquer cor
(para a tristeza das moças que engravidam no beiradão), dourada, piramutaba e
muitas outras que não conseguem vencer as quedas e, principalmente a grande
extensão de corredeiras, talvez mais de cem quilômetros. Inclua-se aí a
tartaruga amazônica (prodocnemis expansa) que está tentando se reproduzir, graças
a uns poucos espécimes levados por terra, do Baixo para o Alto, ainda na década
de 1.920 pelo Coronel Ernesto Accioli, dono da estrada Altamira-Vitória.
Pois é, Franssi. O sonho juvenil veio, como se costuma
dizer, por portas e travessas. Eu queria uma eclusa que não barrasse e
desfigurasse o rio. Que apenas permitisse por elevação do nível das águas, como
se faz em qualquer igarapé na Europa, que os barcos saíssem de Belém e
chegassem a Altamira, ao Riozinho do Anfrísio, a São Félix do Xingu, até ao
Mato Grosso.
O busilis é que a gente cresce, começa a ler e a ter a
incômoda mania de pensar.
A eclusa virá trazendo uma gigantesca barragem para
uma mega hidrelétrica, diz-que a fio d’agua, seja lá o que isso quer dizer.
Acredite em mim, o que se está perpetrando é um crime de lesa-pátria. Essa
obra, minha cara, só interessa ‘as grandes empreiteiras.
O Xingu é um rio lindo na cheia dos igapós. Mais belo
ainda quando seca e nos brinda com as praias, os pedrais, as corredeiras e a
fartura. Mas minha postura não se limita a essas divagações quase poéticas,
embora não possa conceber a vida sem poesia, não, é argumentação de quem vive,
viveu e conhece minimamente a região, de quem tem o cotovelo encardido só de
janela de ver a procissão de iniqüidades passar.
Asseguro-te que a vazão do gigante Xingu, na seca, com
turbinas a fio de água, não tem potência para iluminar Marituba.
Mato a cobra e mostro o pau. Esta imagem abaixo fala
por si só. E não foi na pior seca que tivemos:
Quanto a tal escada de peixes tão sonhada por mim em
tempos idos, hoje evoluí de opinião. A riqueza da variedade dos peixes do teu
Baixo Amazonas, que queria ver povoando as águas do Alto Xingu, na maioria dos
casos, entendo que pertencem a outro ecossistema. Da fertilidade do húmus, dos
lagos e das várzeas. O Xingu tem outras espécies, mais condizentes com rios de
planalto. Alguma delas únicas e que desaparecerão com a transformação radical
de seu habitat.

Por fim, Franssinete, desculpa-me se me alonguei, mas
acho de capital importância o aprofundamento da análise de impacto ambiental da
tal escada de peixes. Até com boa intenção pode ser um verdadeiro Cavalo de
Tróia e causar um desastre irreversível. Por este motivo, acredito que novas e
urgentes Audiências Públicas serão necessárias.
Sendo apenas o que se apresenta para o momento,
Obrigado.”
(André Costa Nunes,
marketeiro, escritor,
 blogueiro, restaurateur, amigo de todas as encantarias da
Terra do Meio.)

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