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A 23ª rodada da Série B de 2025 expôs realidades distintas para a dupla Re-Pa. No sábado (23), o Remo segurou o Coritiba em um empate sem gols no Couto Pereira e voltou para Belém com um ponto importante. No dia seguinte, porém, o Paysandu decepcionou diante de sua torcida: perdeu por 2 a 1 para o Operário, ampliando a crise que já se arrasta pela Curuzu.

No caso azulino, o resultado em Curitiba abre espaço para leituras divergentes. Por um lado, segurar um adversário forte e bem posicionado na tabela pode ser visto como conquista. Por outro, o time deixou escapar a chance de aproveitar a superioridade numérica após a justa expulsão do goleiro Pedro Morisco, do Coxa. Se a defesa mostrou consistência, o ataque manteve a rotina de ineficiência. Faltam ousadia e clareza tática para transformar boas oportunidades em vitórias.

Mesmo assim, o Leão segue em situação relativamente confortável na classificação. Com 35 pontos em 23 jogos, continua próximo do G-4, mas convive com um problema crônico: empata muito e pouco convence. A oscilação é ainda mais incômoda diante do alto investimento feito no elenco, que até agora não se traduziu em desempenho empolgante. O treinador António Oliveira segue muito contestado pela torcida e por parte da diretoria azulina.

O desafio imediato do Remo é transformar solidez em ambição. A equipe ainda pode mirar uma arrancada tardia rumo ao acesso, mas, para isso, precisa apresentar um futebol mais agressivo e eficiente no ataque. Caso contrário, corre o risco de encerrar a temporada de forma morna: competitiva, mas sem brilho, reduzida a uma mera luta por sobrevivência na parte de cima da tabela.

Se o Remo caminha em ritmo de cautela, o cenário no lado alviceleste é bem mais dramático. O Paysandu não apenas foi derrotado em casa por um concorrente direto, como voltou a exibir fragilidades coletivas e psicológicas. O revés por 2 a 1, de virada, para o Operário – o terceiro consecutivo sob o comando de Claudinei Oliveira – escancarou a pressão que já sufocava o elenco. O Papão até saiu na frente, mas sucumbiu no segundo tempo, repetindo falhas que vêm se acumulando ao longo da competição.

O problema, contudo, vai além das quatro linhas. A temporada alviceleste foi comprometida por erros estratégicos da diretoria: montagem questionável do elenco, mudanças frequentes de comando e ausência de um projeto esportivo consistente. O resultado dessa soma é uma equipe vulnerável, que hoje ocupa a parte inferior da tabela com apenas 21 pontos. O risco de rebaixamento, antes um temor hipotético, transformou-se em ameaça concreta.

A falta de liderança dentro de campo e de convicção fora dele agrava a crise. A Curuzu, tradicionalmente um reduto de força, tem se convertido em palco de frustrações periódias. Na Série B, erros não passam impunes, e o Paysandu colhe as consequências de anos de desorganização administrativa e esportiva. A reação exige responsabilidade da gestão e medidas imediatas para evitar um desfecho ruim.

Ao final da 23ª rodada, o contraste é evidente: enquanto o Remo oscila entre a estabilidade e a ambição, o Paysandu trava uma luta desesperada para não sucumbir. Nos próximos dias, o novo capítulo dessas duas histórias.

Foto: Rodolfo Marques (Paysandu-PA e Operário-PR)

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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