Publicado em: 23 de agosto de 2025
Neste domingo, 24, é celebrado o Dia da Infância. Mas a realidade é alarmante: 28,8 milhões de crianças brasileiras vivem na pobreza, de acordo com o IBGE e a Unicef. Para elas, a infância não é de brincadeiras, mas de fome, abandono e luta pela sobrevivência. A pobreza é multidimensional, inclui não apenas renda, mas também educação, acesso à informação, água, moradia, saneamento e proteção contra o trabalho infantil, além de insegurança alimentar.
A pobreza infantil multidimensional resulta da relação entre privações, exclusões e vulnerabilidades que comprometem o bem-estar de meninas e meninos, que precisam ter todos os seus direitos garantidos de forma conjunta, os direitos humanos são indivisíveis.
Urge que o poder público priorize crianças e adolescentes, em termos orçamentários e políticas intersetoriais e transversais que considerem essas múltiplas dimensões e assegurem que cada criança e adolescente no Brasil tenha alimento, escuta e afeto.
É preciso realizar ações de acolhimento aos pequeninos, para transformar realidades invisibilizadas. Alimentar o corpo, nutrir o afeto e a saúde emocional de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade, o que também é um dever da sociedade.
O impacto da fome e da ausência de afeto na primeira infância é terrível e deixa marcas para a vida inteira. Há crianças que não sabem o que é uma refeição completa. Outras que nunca receberam de um adulto um gesto ou palavra de carinho.
A fome dói, e o abandono também. Toda criança precisa ser vista, ouvida, abraçada de forma amorosa. Isso também é cuidado e saúde pública.
Neste Dia da Infância, a sociedade deve repensar o que é prioridade na proteção da infância. Além do alimento, políticas públicas e iniciativas sociais que garantam vínculos afetivos, acesso à saúde mental e apoio às mães cuidadoras. Não se trata de caridade e sim de justiça social, cidadania e tratamento humanitário.
Fotos de Raimundo Paccó


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