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Casarões da CDP saqueados e em ruínas

Abandonado há cerca de vinte anos pela Companhia Docas do Pará, o casarão que até o início dos anos 2000 servia como residência oficial da presidência da CDP, em Miramar (rodovia Arthur Bernardes), rodeado de outras edificações que eram utilizadas pelos demais diretores, teve todo o seu acervo saqueado e o conjunto arquitetônico está em ruínas, por falta de manutenção e vigilância. O interior do prédio principal tinha pratarias e louças antigas, camas de cobre, móveis e utensílios de época, de enorme valor histórico e econômico. Agora, só mato, lama e destruição.

A origem dos casarões remonta a 1906, quando o engenheiro norte-americano Percival Farquhar ganhou a concessão para executar o porto de Belém, desde a foz do rio Guamá até a ponta da ilha de Mosqueiro, e fundou a companhia “Port of Pará” no mesmo ano. O projeto da organização portuária foi elaborado pela S. Pearson & Sons, que construiu os portos de Liverpool e Londres(UK). Na época, Augusto Montenegro era governador do Pará e Antônio Lemos o intendente municipal.

Farquhar, nascido em Nova York, filho de milionários, formado em Engenharia pela Universidade de Yale e em Direito na Universidade de Columbia (USA), “tubarão” de Wall Street, era vice-presidente da “Atlantic Coast Electric Railway Co ” e da “Staten Island Electric Railway Co”, que controlavam o serviço de bondes em NY, presidente da Companhia de Electricidade de Cuba e vice-presidente da “Guatemala Railway”.

Atraído à Amazônia no período áureo da borracha, Percival Farquhar intensificou a navegação na região através da “Amazon River” e, ao construir o porto de Belém, na primeira década do século XX, pensando na segurança da diretoria da empresa – Belém foi assolada por epidemia de febre amarela, que matou vários operários durante as obras – trouxe do Rio de Janeiro ninguém menos que o Dr. Oswaldo Cruz, que ainda visitou Rondônia, onde Farquhar concluía a estrada de Ferro Madeira Mamoré, iniciada pelo Barão de Mauá e popularmente conhecida como “Ferrovia do Diabo”, tal o número de vidas perdidas. Poucos trabalhadores sobreviveram à insalubridade, fome, doenças como malária e disenteria, falta de medicamentos e condições de trabalho precárias, minimizadas pelos empresários como preço a ser pago em nome do progresso. A construção da ferrovia fazia parte do tratado de Petrópolis, selado com a Bolívia em 17 de novembro de 1903, após compra de território boliviano pelo Brasil que corresponde ao estado do Acre. 

Para se ter uma ideia, o escritório da “Port of Pará” e seu depósito de materiais ficavam no Forte do Presépio. A execução do serviço braçal contratava mão de obra local, mas os mergulhadores eram especialistas ingleses (até hoje as multinacionais que ganham bilhões no Pará fazem isso). O vice-presidente da empresa era o engenheiro cubano Antonio Lavandeyra, que trabalhou também na construção do porto de Manaus(AM).

Perigo quando as águas azuis do Tapajós ficam verdes

O Tapajós, já reconhecido como o mais belo rio do mundo, é um dos maiores da Amazônia e às suas margens estão localizadas praias de beleza cênica deslumbrante, como a de Alter do Chão, em Santarém do Pará. As águas azuis ficam verdes em determinada época do ano, e muita gente confunde a cor como de algas e na região se diz que o rio está com “limo”. Pois uma interessante pesquisa de James Leão de Araújo, intitulada “Monitoramento por sensoriamento remoto da concentração de clorofila-a e das florações de cianobactérias no Baixo Tapajós: audiovisual praias do Tapajós para gerações presentes e futuras”, defendida no Programa de Pós-Graduação em Rede Nacional para o Ensino das Ciências Ambientais (Profciamb), do Instituto de Geociências (IG/UFPA), sob a orientação da professora Maria Paula Cruz Schneider e coorientação da professora Maria Ataide Malcher, resultou em documentário com fins didáticos para informar e conscientizar a população sobre os diversos efeitos das florações de cianobactérias nas praias do rio Tapajós.

Em sua dissertação, o pesquisador observou que na região entre os municípios de Aveiro e Santarém, o Tapajós se assemelha a um lago, o que favorece o processo de eutrofização, que resulta no crescimento excessivo de algas e plantas aquáticas, o “limo do Tapajós”. As florações ou blooms caracterizam o surgimento das cianobactérias, microrganismos importantes para os ecossistemas e para a vida na Terra por constituírem a base de cadeias alimentares, além de serem os maiores produtores de oxigênio atmosférico. Mas, em determinadas situações, essas cianobactérias produzem cianotoxinas, substâncias que provocam intoxicação e morte de organismos aquáticos, animais e até seres humanos. Nem mesmo os métodos convencionais de tratamento de água, como ferver, filtrar ou adicionar cloro, podem descontaminar a água das cianotoxinas.

Ao longo de mais de dois mil quilômetros quadrados, James Leão de Araújo coletou dados sobre a distribuição, a ocorrência e os riscos ocasionados pela presença de cianobactérias no rio Tapajós, envolvendo unidades de conservação, populações ribeirinhas e destinos turísticos, em quatro pontos da margem direita: a Ponta do Tauá, localizada na Praia do Cururu; a Praia do Pajuçara; a Praia do Maracanã e o Lago Mapiri. Foi utilizado sensoriamento remoto, por meio de imagens de satélite. A partir dos dados obtidos, foram gerados mapas usados como índice para as coletas de campo que validaram os estudos. As amostras foram pré-processadas na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém, e analisadas no Laboratório de Genômica Funcional e Biotecnologia da UFPA. Parte dos recursos para locações, deslocamentos e coletas de campo foi financiada pelo Profciamb, com recursos da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes) e da Agência Nacional de Águas (ANA).

A balneabilidade é um dos conceitos trabalhados na pesquisa de James Araújo e refere-se à qualidade da água, que oferece segurança para banho, recreação e esportes aquáticos em corpos hídricos, como mares e rios. No Brasil, os parâmetros de balneabilidade são estabelecidos pela Resolução 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Laudos devem ser apresentados para a população informando se a qualidade da água está excelente, muito boa, satisfatória ou imprópria para banho. Neste último caso, o local deve ser interditado.

“Nos últimos dez anos, tem-se observado, em todo o mundo, o aumento das florações das cianobactérias. As principais causas são o aquecimento global, a maior disponibilidade de nutrientes em esgotos, a lixiviação de nutrientes da agricultura, a retirada da cobertura natural, o manejo inadequado do solo e o transporte de cianobactérias em água de lastro de navios”, esclarece o pesquisador, explicando ainda que, para reconhecer a presença das cianobactérias na água, é necessário observar elementos como a coloração esverdeada e o odor desagradável. Os maiores riscos estão relacionados à ingestão e, apesar de alguns trabalhos demonstrarem riscos para a pele e as mucosas, ainda é preciso comprovar a absorção por essas vias.

James Araújo apurou a ocorrência sazonal das explosões populacionais das cianobactérias. “Elas ocorrem em pontos específicos, nos quais não há grandes aglomerados humanos ou esgotos, sendo aparentemente condicionadas por fatores pluviométricos e pelo nível do rio que tem enchente, cheia, vazante e seca, mas somente fatores climáticos não explicam por completo o fenômeno”. Assistam ao vídeo.

As incríveis coleções do Museu Paraense Emílio Goeldi

Com importância singular nos campos científico, sociocultural e político, os acervos arqueológicos e etnográficos do Museu Paraense Emílio Goeldi, sediado em Belém do Pará, são declarados patrimônio cultural brasileiro há mais de 80 anos.

A Coleção Etnográfica, composta por quinze mil objetos de diferentes categorias artesanais, é uma das três mais importantes do Brasil. A reserva técnica Curt Nimuendaju salvaguarda sobretudo elementos orgânicos. Há artefatos oriundos de 120 povos indígenas que vivem principalmente na Amazônia brasileira, mas também na Amazônia peruana e colombiana. Muitas peças provêm dos Saamacá, povo maroon do Suriname; de populações tradicionais no Brasil, como quilombolas, ribeirinhos e pescadores; e de populações centro-africanas, que remontam ao final do século XIX.

Rica fonte de consulta para um amplo leque de estudos interpretativos na área das ciências humanas: cultura material, tecnologias tradicionais, antropologia da arte, etnohistória e história da arte, processos migratórios, trocas e apropriações culturais como resultado das situações de contato, o acervo é compartilhado em plataformas virtuais como o site Amazonian Museum Network, iniciativa conjunta do Museu Goeldi, Musée des Cultures Guyanaises e o Musée Départamental Alexandre-Franconie (Guiana Francesa) e Museu Stichting Surinaams (Suriname). As coleções são compreendidas menos como testemunhos de culturas tradicionais, e mais como suportes de dimensões históricas, políticas e identitárias.

Já a coleção arqueológica traça a história indígena da Amazônia, reforçando o empenho do Museu Goeldi para estreitar sua relação com o público. O projeto “Replicando o Passado: socialização do acervo arqueológico do Museu Goeldi através do artesanato cerâmico de Icoaraci” é uma feliz parceria entre a curadoria Reserva Técnica Mário Ferreira Simões e os ceramistas de Icoaraci, que encontram nas cerâmicas arqueológicas inspiração para sua produção artesanal.

Cerca de três mil objetos cerâmicos de grandes dimensões e sete mil caixas contendo vestígios procedentes de diversas regiões da Amazônia (vasilhas, urnas funerárias, estatuetas), artefatos líticos (como pontas de flecha, lâminas de machado, muiraquitãs); faianças, vidros e metais que remontam à história colonial e pós-colonial da região, além de materiais orgânicos, incluindo osteológicos (ossos humanos e animais), contam parte da trajetória de povos que habitaram a Amazônia há centenas ou milhares de anos. Estagiários e voluntários dos cursos de Museologia e de Conservação e Restauro da Universidade Federal do Pará se juntaram à equipe de curadoria do Museu Goeldi. As atividades foram interrompidas em razão da pandemia do novo coronavírus e dependem do restabelecimento de um mínimo de segurança sanitária para a retomada.

TAPIOCA DE CAFÉ COM DOCE DE LEITE E CHOCOLATE

Tapioca de café com doce de leite e chocolate 
RENDIMENTO: oito porções
INGREDIENTES:
Para a massa
500 g de polvilho doce
350 ml, aproximadamente, de café de coador (resfriado)
1 pitada de sal
Para o recheio
500 g de doce de leite
300 g de chocolate amargo ralados (60% de cacau ou mais)
Para finalização
Calda de chocolate
Raspas de chocolate
8 bolas de sorvete de canela
MODO DE PREPARO:
Hidrate a massa com o café e uma pitada de sal; a quantidade de liquido pode variar de acordo com o polvilho. Depois, peneire a massa, espalhe-a na tapioqueira e aguarde até que fique firme. Espalhe o doce de leite e o chocolate ralado a gosto. Espere alguns instantes para o recheio esquentar e feche a tapioca. Finalmente, sirva com o sorvete de canela e decore com a calda e as raspas de chocolate.
Dica
Se a massa ficar borrachuda, significa que ela está muito úmida e é necessário acrescentar um pouco de polvilho. Já se estiver quebradiça, precisa de mais liquido– adicione assim um pouco mais de café.

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