Publicado em: 13 de julho de 2026
Beber água antes de a sede chegar, secar bem o corpo depois dos banhos de rio ou mar e reaplicar o protetor solar a cada duas horas. Os gestos são simples, mas ganham urgência com o verão amazônico, período de estiagem em que os dias ficam mais quentes e ensolarados na Região Norte.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média em grande parte da região, efeito associado ao El Niño, fenômeno que aquece de forma anormal as águas do Oceano Pacífico Equatorial. Com o calor, crescem as chances de desidratação, de agravamento de doenças respiratórias e de problemas de pele, e por isso médicos professores da Universidade Federal do Pará (UFPA) reforçam as orientações de prevenção.
A primeira recomendação é não esperar a boca secar. “A sensação de sede já indica que o organismo começou a perder água. Por isso, a hidratação deve ser mantida ao longo de todo o dia, principalmente entre crianças, idosos e pessoas que permanecem expostas ao calor por períodos prolongados”, explica a dermatologista Rossana Veiga, do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB).
Na pele, a soma de calor, umidade e sol forte favorece brotoejas, micoses e queimaduras solares, além de elevar o risco de câncer de pele. Manter o corpo bem enxuto depois dos banhos é, segundo a médica, uma medida estratégica.
“O calor associado à umidade faz com que o suor permaneça por mais tempo sobre a pele, favorecendo brotoejas e irritações, principalmente em crianças. Também é importante retirar roupas molhadas após banhos de rio, praia ou piscina e secar bem as regiões de dobras, como axilas, virilhas e entre os dedos dos pés, reduzindo o risco de micoses”, aconselha.
A dermatologista indica ainda reaplicar o protetor solar a cada duas horas durante a exposição ao sol, recorrer a chapéus de aba larga e outras barreiras físicas, passar hidratante depois do banho e deixar as atividades físicas ao ar livre para o fim da tarde, quando a radiação costuma perder intensidade.
Entrar e sair de ambientes climatizados várias vezes ao dia, rotina comum na estação, pode desencadear ou agravar rinite, sinusite, faringite e crises alérgicas. O otorrinolaringologista Henderson Cavalcante, do Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS), recomenda evitar mudanças bruscas de temperatura, manter a limpeza periódica dos aparelhos de ar-condicionado e caprichar na água ao longo do dia. “A boa hidratação permite que as mucosas do nariz e da garganta mantenham sua função de barreira natural contra microrganismos”, afirma.
As frequentadoras de rios, praias e piscinas também precisam cuidar dos ouvidos. “Após os banhos, é recomendado secar bem os ouvidos e evitar o uso de hastes flexíveis, que podem causar lesões e favorecer infecções”, orienta o médico.
A temporada de passeios reúne multidões em praias, ilhas e balneários, o que facilita a circulação de vírus respiratórios. Manter a vacinação em dia e higienizar as mãos com frequência reduz de forma significativa o risco de infecções, afirma o infectologista Julius Monteiro, do HUJBB.
A atenção deve se estender à comida levada para os passeios. “As altas temperaturas aceleram a proliferação de microrganismos e aumentam o risco de doenças transmitidas por alimentos. Em viagens para praias, por exemplo, recomenda-se transportar alimentos perecíveis em recipientes térmicos e evitar consumir produtos que permaneceram muito tempo fora de refrigeração ou foram preparados em condições inadequadas”, diz.
Nas bebidas, a orientação do infectologista é preferir as industrializadas e devidamente envasadas, de preferência já refrigeradas, em vez de sucos naturais ou copos com gelo de procedência desconhecida, já que não há como garantir a origem da água usada no preparo.
As férias e a maior circulação em locais de lazer também acendem o alerta para as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Preservativo nas relações sexuais, testagem regular e acompanhamento com profissionais de saúde seguem como as principais formas de reduzir a transmissão.
No mesmo período, a campanha Julho Amarelo chama atenção para as hepatites virais, que podem evoluir em silêncio até provocar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A vacinação contra as hepatites A e B e a realização de testes, quando indicados, estão entre as principais estratégias de prevenção.
Nem todo sintoma pode esperar. Dificuldade para respirar, febre prolongada, dor intensa de ouvido, diarreia acompanhada de sinais de desidratação, queimaduras solares extensas e lesões de pele que crescem rapidamente ou apresentam secreção exigem atendimento médico.
Imagem em destaque: Marcello Casal Jr / Agência Brasil










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