Publicado em: 9 de setembro de 2026
O novo relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil, lançado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), traz dados alarmantes sobre a violência digital contra a crianças e adolescentes: no Brasil, 19% dos entrevistados (cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes) sofreram abuso ou exploração sexual facilitada pela tecnologia, e menos de 1% dos casos é denunciado.

O mais terrível é que os números são ainda maiores. Muitas vítimas não chegam a comunicar a ninguém o que aconteceu a elas, e o silêncio perpetua a subnotificação. O relatório evidencia que mais de 40% não relatam as agressões por não saberem a quem recorrer.

No Brasil, redes sociais e apps de mensagens concentram 66,5% dos casos no Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp (com destaque para Instagram e WhatsApp), enquanto os jogos on-line somam 12,3%.

Mais da metade dos casos (57%) envolve pessoas conhecidas ou do convívio da criança, incluindo familiares, conhecidos, amigos, namorados e namoradas. O dado contraria o imaginário de que a violência on-line é perpetrada principalmente por estranhos, e a escola responde por 24,5% das ocorrências no Brasil. Ao mesmo tempo, 38% das vítimas encontraram seus agressores pela primeira vez na internet, indicativo de que contas fake e o envio de mensagens privadas facilitam as violações.

Outra revelação do relatório é que agressores exercem poder sobre as vítimas não só convencendo-as a agir de determinadas maneiras mediante presentes, dinheiro e atenção, mas também por meio da coerção. É preciso muito cuidado e atenção das famílias, escolas e comunidades.
O relatório recomenda ações urgentes para:
Tornar as plataformas digitais mais seguras desde a concepção, reforçando a proteção da privacidade das crianças, restringindo contatos não solicitados por adultos, aprimorando a segurança dos sistemas de recomendação e fortalecendo a detecção e a denúncia de abusos.
Fortalecer leis, regulamentações e mecanismos de responsabilização, garantindo que governos disponham das ferramentas e dos recursos necessários para enfrentar novas formas de abuso, incluindo extorsão sexual e materiais gerados por inteligência artificial que retratem abuso sexual.
Criar sistemas de denúncia e apoio nos quais crianças e adolescentes possam confiar, inclusive por meio de investimentos em proteção infantil, saúde, justiça e serviços sociais.
Evitar que a responsabilidade pela própria proteção recaia sobre as crianças e garantir que famílias, escolas e comunidades ofereçam apoio quando elas relatarem situações de abuso, ajudando-as a buscar assistência de forma segura.
Reduzir as vulnerabilidades econômicas exploradas por agressores por meio do fortalecimento do apoio às famílias e da ampliação de oportunidades educacionais e profissionais para crianças, adolescentes e jovens.
Enfrentar normas sociais e de gênero que normalizam a sexualização de meninas e estigmatizam sobreviventes de violência sexual.
Leiam o relatório completo aqui.










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