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No ano de 2026 uma notícia tomou conta dos jornais e portais de notícias. A sede da Academia Paraense de Letras havia sido alvo de arrombamentos e furtos. O ato causou indignação aos atuais imortais, pela falta de respeito com a centenária instituição que resguarda o legado da literatura paraense.


Na semana seguinte, para frustração de todos, a sede foi novamente arrombada.


A jornalista Franssinete Florenzano, imortal da Academia, denunciou os dois atos de vandalismos no portal de notícias Uruá-Tapera.


Confrades e confreiras se mobilizaram e foram em busca de respostas junto às autoridades do estado. O presidente Ivanildo Alves e vários imortais foram recebidos em audiência pela governadora e ouviram a garantia de que o prédio da instituição teria atenção especial dos órgãos de segurança pública.


O presidente Ivanildo Alves convocou uma reunião extraordinária, onde os demais confrades apresentaram sugestões para evitar novos arrombamentos. O imortal Marcos Valério Reis propôs a instalação de um moderno sistema de alerta em sintonia com uma empresa especializada em segurança. Flávio Quinderé propôs a contratação de uma equipe de vigilância permanente. E assim, foram se sucedendo as falas dos imortais, cada um com uma sugestão diferente para garantir a segurança do prédio e garantir a salvaguarda da história literária do Pará.


Diante de tantas sugestões, o imortal Agildo Monteiro, um dos mais antigos em atividade na academia, sugeriu uma estratégia ousada e arriscada: que tal os imortais montarem um grupo de vigilância composto pelos próprios imortais, que teriam a responsabilidade de surpreender os meliantes na próxima vez que o alarme apontasse que o prédio havia sido invadido?


Mas como vamos reagir se não utilizamos armas e nem temos treinamento em segurança? indagou Márcia Forte.


Ora, cada um pega um pedaço de pau e junto expulsaremos o invasor, reforçou Agildo.


A partir daquela noite, foi montada a primeira equipe de segurança.


Quando o relógio marcava 23h30min o alarme disparou. Era o sinal de que o prédio havia sido arrombado mais uma vez.


Em poucos minutos os imortais já estavam à porta. Olharam em volta e não perceberam nada de anormal, a porta estava fechada à chave, não havia sinais de arrombamento.


Adentraram o prédio com cuidado, cada um com uma arma na mão. Agildo levou um martelo, Zenaldo Coutinho um terçado, Márcia levou uma espátula de cortar bolo, que ela pegou por engano na cozinha, imaginando ser uma faca. E assim eles adentraram preparados para surpreende o invasor. Cada um com sua “arma”.


“_Quem está aí?”, perguntou Benilton Cruz. – Estamos armados, é melhor sair sem reagir.


É verdade, concordou Nazaré Melo.


A polícia já está a caminho, gritou Sarah Castelo Branco.


Conforme iam avançando pelo prédio, percebiam que tudo estava no mesmo lugar, nada havia sido furtado ou vandalizado. Ao chegarem ao salão de reuniões ficaram ainda mais surpresos. Sentado na cadeira de presidente estava o espírito luminoso de Domingos Antônio Raiol, fundador da academia.


Incrédulo, Célio Simões indagou: Será verdade o que meus olhos veem? Como pode? É de fato quem estou pensando ser?


E o espírito respondeu: Sim.


Mas, ilustre confrade – indagou Ivanildo – como pode ser possível estarmos contemplando seu espírito? O que lhe trouxe aqui?


“Esquecestes que somos imortais e nossa obra reverbera pela eternidade? Vim somente ajudá-los na preservação de nossa sede, de agora em diante montarei guarda aqui também e expulsaremos qualquer visita indesejada, todos os imortais estarão de prontidão para defender a nossa Casa, os vivos e os imortalizados que partiram”, finalizou o Barão de Guajará.

Wildson Queiroz
Natural de Alenquer, no Pará, Wildson Queiroz é escritor, professor, pedagogo, historiador e pesquisador da história e da cultura amazônica, fundador da Academia Alenquerense de Letras.

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