Publicado em: 10 de agosto de 2026
Quando Lucinha Lins surge no palco, caracterizada como Fafá de Belém, cabelos longos, branco e começa a cantar a música de Nilson Chaves, parece que um estrondo acontece, enchendo a sala de energia. Fafá de Belém, o Musical, veio de uma temporada de casas cheias no Rio de Janeiro e daqui segue adiante. Mas não, em nenhum lugar poderia ter a atmosfera que o Teatro da Paz apresentou. Nenhum. Maria de Fátima Palha Figueiredo volta à sua cidade para comemorar uma carreira vitoriosa, uma vida de vencedora, que ultrapassou todos os obstáculos, tendo, como mulher, intérprete, lutar para manter e renovar seu público, conquistar outras platéias como a de Portugal, desafiar o mundo político sendo musa das Diretas Já e pagando caro por sua audácia. Maria de Fátima, desde cedo, encontrou sua turma com os seresteiros, bossanovistas de Belém até aparecer a chance que agarrou com os dentes. Estourou logo no primeiro disco e recusou-se a ser usada pelas gravadoras em seus formatos. Seguiu adiante, projetou o Pará e seus compositores e já madura, diversificou o repertório, manteve-se no auge e comemora seus 70 anos no palco. O musical baseia-se nos sucessos da cantora, com alguns causos narrados entre as músicas. Brilham as cantoras, entre elas, a neta de Fafá. Grandes cantoras e cantores, acompanhados por uma banda instrumental excelente, que cumpre todos os desafios, apoia os canários e deixa todos brilharem. A platéia chora e canta. Não poderia ser em nenhum outro lugar. A própria Fafá gastou quilos de lenços na emoção de assistir. Na saída, uma platéia de rostos inchados de chorar e aplaudir. Fafá cantou anos dourados da nossa música, a partir dos anos 70, culminando por sua interpretação encantada de “Vermelhou”, de Parintins, que acabou adotada pela torcida do Benfica, o mais querido clube português.O que me agradou muito foi o timbre das cantoras. Fafá é filha direta de Angela Maria e Nubia Lafayette, dada a tirar grandes efeitos dos sons mais graves e indo com facilidade aos agudos. Interpretações sempre emotivas, principalmente em “Bilhete” que tem uma motivação muito especial, informada na peça. Quanto a mim, chorei litros quando cantaram “Bom dia, Belém”, de Edyr Proença e Adalcinda Camarão, claro. Fafá está gravando lentamente, no seu tempo, um disco novo. No repertório, mais uma inédita de Edyr e Adalcinda. Espero que gostem. Obrigado, Fafá. Você é uma vencedora. Venceu por seus méritos, por acreditar nos seus valores, por não ter medo de dizer a verdade e de manter seu rumo, mesmo com críticas ressentidas. Parabéns por sua vida e por sua amizade de sempre. Tenho orgulho de ser seu amigo desde sempre.
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista




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