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O ciclo hidrológico do rio Amazonas é implacável e indiferente ao tempo da administração pública. A força da correnteza está causando enormes erosões na comunidade Vila Barbosa, município de Curuá, que fica na região da Calha Norte, oeste do Pará. Os ribeirinhos afetados estão fazendo “puxirum” (mutirão) para salvar suas residências. Desde ontem (29) pela manhã as barrancas do rio estão desabando, levando árvores de grande porte junto. Urge a retirada emergencial, deslocamento logístico e reassentamento imediato das famílias nas áreas de risco, de modo a assegurar o mínimo existencial e dignidade humana para essas pessoas.


As ʺterras caídasʺ são fruto de erosão fluvial, ocorrem nas margens do rio Amazonas e nos seus afluentes de água branca, criando um cenário de calamidade pública. Trata-se de um fenômeno natural que transforma a paisagem ribeirinha e provoca sérios transtornos aos moradores isolados, comunidades, vilas e cidades. A morfologia do terreno geralmente é composta por barrancas com margens em fortes declives (talude) que chegam por vezes a mais de 80 graus.


O município de Curuá sofre com o fenômeno, as encostas estão sendo aos poucos engolidas. A erosão danifica assoalhos, paredes e telhados de residências, escolas, postos de saúde, microssistemas de abastecimento de água, geradores, igrejas e barracões comunitários. As famílias já vivem em palafitas que a cada ano que passa ficam mais altas, mas ainda assim a natureza as alcança; e mesmo passando por muitas dificuldades e perigo se recusam a sair destes locais.


As imagens impressionantes captadas por comunitários mostram o momento exato em uma faixa de terra é tragada em questão de segundos pelas águas, levando junto uma árvore de grande porte, na Vila Barbosa. Essa e outras comunidades ribeirinhas integram a região conhecida por Paraná do Curuá. O termo “paraná” é uma denominação comum amazônica para um braço de rio (ou canal fluvial natural) que se ramifica de um rio principal e depois retorna a ele, contornando ilhas. Até 1995, essas comunidades pertenceram a Alenquer. Com a emancipação da antiga “Vila Curuá”, passaram a pertencer ao novo município.

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