Publicado em: 27 de julho de 2026
O Theatro da Paz, em Belém (PA), e o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), que já eram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde os anos 1960, agora integram a Lista do Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. A proposta de reconhecimento – formalizada pelo Iphan em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores, com colaboração das Secretarias de Cultura do Pará e do Amazonas – se baseou numa candidatura conjunta, aprovada na madrugada desta segunda-feira, 27, pelo Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, na Coreia do Sul. Agora, figuram juntos na lista da Unesco, sob a designação “Teatros da Amazônia”, ao lado de outros sítios brasileiros.
O processo começou em 2005 quando o Pará se juntou ao Amazonas, que já solicitara a inscrição pelo Brasil. Há dois anos os teatros foram indicados à Unesco e foi elaborado o dossiê da candidatura, num esforço coletivo de grande equipe de profissionais de vários locais, do Iphan e outros órgãos, conta a professora doutora Jussara Derenji, que participou como consultora. “A aprovação nos dá responsabilidade de lutar pela preservação, integridade e uso adequado para os teatros e seu entorno. Um grande passo para o reconhecimento dos valores culturais da Amazonia brasileira”, acentuou.
O diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença, membro da Academia Paraense de Jornalismo, comenta: “A escolha do Theatro da Paz e do Teatro Amazonas como Patrimônio Histórico Mundial pela Unesco é uma vitória conjunta de diversos órgãos de Cultura e Patrimônio Histórico unidos em um objetivo. Uma luta que durou uns três anos entre relatórios, mapas, plantas, documentos reunidos e apresentados em um processo que envolveu reuniões, vindas a Belém e Manaus de autoridades da Unesco, fiscalização e por fim, na madrugada de hoje, na Coréia do Sul, a aprovação dos Teatros da Amazônia, em momento histórico para nós. Agradecemos a todos os órgãos envolvidos, desde a Secult, Iphan e o Governo do Estado, sempre presente, quando foi necessário. Um destaque para a atuação da Dra. Jussara Derenji, incansável batalhadora nessa vitória que tanto orgulho traz para Amazônia e especificamente, para o Pará.”
O presidente da Academia Paraense de Letras, Ivanildo Alves, pontua: “É o reconhecimento de um órgão público internacional acerca da importância histórica e artística de dois colossos da cultura situados no coração da Amazônia. Ao mesmo tempo em que destaca o papel da produção das duas casas de cultura, alerta o estado e a população para sua preservação e manutenção como patrimônio do povo amazônida e brasileiro.”
“O reconhecimento da Unesco representa um passo importante para a projeção do patrimônio histórico da Amazônia no circuito internacional, potencializando a promoção do turismo cultural regional. O IHGP celebra a conquista e parabeniza o Iphan pela iniciativa da candidatura”, declara Álvaro do Espírito Santo, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.
O secretário de Estado de Cultura, Bruno Chagas, festeja. “Eu queria começar dizendo que hoje é um dia muito feliz para o Pará e para a Amazônia. Nesta madrugada, em Busan, na Coreia do Sul, o Comitê do Patrimônio Mundial aprovou a inscrição dos Teatros da Amazônia na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. O nosso Theatro da Paz e o Teatro Amazonas, juntos. E como paraense essa é uma daquelas notícias que a gente recebe e demora um pouco pra acreditar. É a primeira vez, na história, que um bem cultural material da Região Norte entra nessa lista. O Brasil tem Ouro Preto, temos Brasília, Cais do Valongo, Olinda e Salvador. E agora temos a Amazônia! Não pela floresta, que já é merecidamente reconhecida, mas pela nossa cultura arquitetônica e urbana. O Theatro da Paz foi inaugurado em 1878. É a mais antiga grande casa de ópera da Amazônia e uma das mais antigas do Brasil, que hoje o mundo inteiro olha e reconhece como patrimônio da humanidade. Esse título não é um ponto de chegada, é um compromisso que nós assumimos. Compromisso de conservar, de manterquelas portas abertas para o povo paraense, porque um teatro só é vivo se a nossa gente estiver dentro dele, levando a produção artística da Amazônia para os palcos do mundo. As cortinas do Theatro da Paz já se abriram para as maiores obras do repertório mundial. A partir de hoje, elas se abrem para o mundo inteiro.”










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