Publicado em: 3 de agosto de 2026
A sensação de peso nas pernas e o inchaço ao final do dia são queixas muito comuns entre as mulheres. Muitas vezes, esses sintomas são atribuídos à “má circulação”, mas, na maioria dos casos, o sistema linfático desempenha um papel fundamental nesse processo. Ele funciona como uma rede de drenagem do organismo, responsável por recolher o excesso de líquido que se acumula entre os tecidos e devolvê-lo à circulação. Além disso, participa do transporte de proteínas, gorduras e células do sistema imunológico, contribuindo para o funcionamento saudável do organismo.
O grande diferencial é que a circulação sanguínea conta com o coração como uma bomba para impulsionar o sangue. Já o sistema linfático não possui um motor próprio. O deslocamento da linfa depende, em grande parte, da contração dos músculos. Isso explica por que permanecer muitas horas sentada, em pé ou levar uma rotina sedentária favorece o acúmulo de líquidos, aumentando a sensação de inchaço e de pernas pesadas.
Esse cenário costuma ser mais frequente entre as mulheres de meia idade. Alterações hormonais relacionadas ao climatério e à menopausa, a redução do nível de atividade física, o aumento do tempo sentada durante o trabalho, a perda gradual de massa muscular são fatores que contribuem para uma menor eficiência desse sistema. Vale lembrar que nem todo inchaço representa um problema de saúde. No entanto, quando ele surge de forma repentina, é intenso, doloroso, persistente, a avaliação médica é indispensável.
É nesse contexto que o exercício físico se torna um grande aliado. A cada contração muscular, ocorre uma compressão dos vasos linfáticos, criando um mecanismo similar a uma bomba. Esse processo funciona como uma pressão intermitente que impulsiona a linfa, favorecendo a drenagem dos líquidos acumulados nos tecidos
A ciência confirma esse mecanismo na prática. Um estudo publicado em 2025, que acompanhou mulheres com acúmulo de líquido nos membros inferiores, observou que a prática de exercícios físicos potencializou a reabsorção do edema, apresentando resultados superiores aos da drenagem linfática manual realizada isoladamente. Essa observação reforça que o movimento não apenas alivia os sintomas, mas também atua diretamente na circulação linfática.
Na prática, isso significa que atitudes simples fazem diferença. Caminhar, subir escadas, levantar-se regularmente durante o expediente, realizar exercícios de mobilidade e manter uma rotina de treinamento funcionam como uma verdadeira “massagem interna”, estimulando continuamente a circulação dos líquidos corporais.
Outro aspecto interessante é que, durante muito tempo, acreditou-se que apenas os exercícios aeróbios seriam capazes de melhorar a circulação. Hoje sabe-se que os exercícios de força também são eficazes nesse sentido. Além disso, preservar e desenvolver a massa muscular significa manter essa bomba natural funcionando de forma eficiente ao longo dos anos, tornando o corpo mais preparado para lidar com os efeitos biológicos do envelhecimento e das alterações hormonais.
Mais do que uma questão estética, o exercício físico é uma estratégia para promover saúde e qualidade de vida. Para as mulheres que convivem com as mudanças hormonais da maturidade ou passam grande parte do dia sentadas, incorporar o exercício físico à rotina é uma das formas mais eficazes de prevenir ou tratar a retenção e sentir-se bem todos os dias.
Referência:
Ma, Jiahui et al. “Effectiveness of isometric muscle training combined with manual lymphatic drainage on secondary lower extremity lymphedema following gynecologic cancer surgery.” Frontiers in bioengineering and biotechnology vol. 13 1568003. 14 May. 2025, doi:10.3389/fbioe.2025.1568003
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista







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