Publicado em: 22 de setembro de 2026
O Paysandu conseguiu transformar uma vitória contra o Inter de Limeira, que parecia encaminhada, em mais um capítulo de uma Série C marcada pela instabilidade. Neste domingo (20), abriu 1 a 0, sofreu o empate. Fez 2 a 1 e, quando precisava apenas administrar a vantagem, voltou a falhar e permitiu o empate da Inter de Limeira nos acréscimos. O placar de 2 a 2, na Curuzu, é a fotografia de um time que não sabe proteger o resultado, não consegue controlar os jogos e “insiste” nos mesmos erros. Em três rodadas do quadrangular, o Papão tem apenas um ponto e ocupa a lanterna de seu grupo. É muito pouco para quem chegou a esta fase com o desafio de disputar o acesso.
A responsabilidade não pode ser jogada exclusivamente sobre o novo treinador, Mazola Júnior. O treinador chegou para apagar um incêndio provocado por decisões anteriores da própria diretoria. O time segue vulnerável, previsível em determinados momentos e, principalmente, incapaz de demonstrar a maturidade necessária para jogar uma fase decisiva. E a diretoria do Paysandu parece ter apostado novamente na “velha” fórmula de trocar o comandante quando o problema é muito maior do que o banco de reservas.
A diretoria precisa explicar, portanto, como o clube chegou a esse ponto. Planejamento, montagem de elenco, contratações, manutenção de jogadores e decisões durante a temporada precisam ser colocados na mesa. Quando a pressão aumentou, as fragilidades apareceram novamente.
Mas os jogadores também precisam assumir a sua parcela de responsabilidade. Há limites técnicos que podem ser discutidos, mas existem erros que não dependem de talento extraordinário: concentração, posicionamento, tomada de decisão e capacidade de administrar uma vantagem. O Paysandu esteve duas vezes à frente no placar e duas vezes permitiu que o adversário voltasse ao jogo. E os dois gols sofridos foram nos acréscimos – do primeiro e segundo tempos.
O torcedor bicolor está cansado de explicações. Evidentemente, matematicamente ainda existe possibilidade. O Paysandu tem 3 duelos, contra o Inter, em Limeira; a Ferroviária, em Belém; e contra o Brusque, no interior catarinense. Mas o futebol apresentado até agora não oferece respostas convincentes. O Paysandu não está na última posição por “azar”; está porque não venceu nenhum dos três jogos que disputou e porque voltou a cometer, justamente na fase decisiva, erros que já haviam sido vistos ao longo da temporada.
Mazola terá pouco tempo para agir. Para o clube bicolor, cada minuto daqui para frente será uma decisão. O próximo jogo contra a Inter de Limeira exige uma equipe diferente, mais concentrada, mais competitiva, mais organizada e, sobretudo, menos condescendente com os próprios erros.
O Papão ainda está vivo, mas sua sobrevivência não pode continuar dependendo de esperança. Diretoria, comissão técnica e elenco precisam assumir que foram eles que colocaram o clube nessa situação; e somente eles, dentro de campo e nas decisões que ainda podem ser tomadas, poderão tirá-lo dela.
Foto em destaque: Paysandu 2 X 2 Internacional-SP no Estádio da Curuzu em 20/09/2026 (Rodolfo Marques )
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista










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