Publicado em: 12 de agosto de 2026
Parece que o Paysandu “gosta” de testar os limites da própria torcida. Na noite desta segunda-feira (10), na Curuzu, o roteiro parecia conhecido: futebol insuficiente, placar adverso e a sensação de que mais uma oportunidade estava sendo desperdiçada na Série C. Só que, desta vez, o Papão resolveu contrariar o eventual destino: com dois gols nos minutos finais (aos 42´ e aos 46´ do segundo tempo), virou sobre o Confiança-SE por 2 a 1 e arrancou uma vitória essencial.
Ítalo e Pedro Carrerette salvaram uma noite que caminhava para a melancolia. O Paysandu chegou à sua oitava virada em 2026, um número que pode ser interpretado como prova de um time que nunca desiste, em especial quando, por vezes, precisa estar à “beira do abismo” para reagir.
O resultado, portanto, não pode ser diminuído. Com 26 pontos, o Papão voltou ao G-8 (agora na quarta posição) e recolocou-se de maneira concreta na briga pela classificação à próxima fase. E isso, a esta altura, é o que interessa. A Série C não premia necessariamente quem joga bonito; premia quem pontua, resiste e sobrevive. O Paysandu está sobrevivendo. Mas um clube da dimensão do Papão precisa de mais: precisa transformar essa reação em estabilidade e construir uma campanha capaz de devolver ao torcedor a convicção de que existe, enfim, um caminho possível para o acesso, deixando para trás o ciclo de crises sucessivas que se arrasta na instituição desde 2017.
O problema é que o Paysandu continua oscilando demais. A vitória contra o Confiança não apaga as deficiências. O torcedor pode comemorar – e deve. Mas também precisa manter os dois pés no chão. Porque o G-8 é uma porta de entrada, não uma garantia de absolutamente nada, posto que, em caso de classificação, haverá, ainda o quadrangular semifinal – este sim, que viabilizará o eventual acesso.
Ainda assim, existe um mérito que precisa ser reconhecido: este time não morreu. E isso, depois de tantos tropeços, não é pouca coisa. O Paysandu tem demonstrado uma capacidade impressionante de reagir quando parece derrotado – e isso tem de ser creditado à força da camisa, ao grupo de jogadores e à incansável torcida.
Na Curuzu, diante do Confiança, o time bicolor transformou desespero em festa em poucos minutos. É o tipo de vitória que pode mudar o ambiente, recuperar confiança e dar ao elenco a convicção de que é possível buscar algo maior. A margem para erro está ficando perigosamente estreita.
O Papão, portanto, chega à reta decisiva vivo. E essa, talvez, seja a melhor definição para o momento bicolor: vivo, porém no limite. A torcida já descobriu que o time sabe virar partidas. Agora falta descobrir se ele sabe evitar que elas cheguem ao ponto de precisar de uma virada. Faltam 3 jogos na fase de classificação, sendo duas dessas partidas no interior de São Paulo (Ferroviária e Ituano) e o jogo final, em Belém, contra o Maringá-PR.
Acesso não se conquista com heroísmo de última hora em todas as rodadas. Ou o Paysandu aprende a controlar os próprios jogos, ou continuará obrigando a Fiel a acreditar em milagres – e milagres, como se sabe, não costumam acontecer em todas as segundas-feiras, sábados ou domingos.
Foto em destaque: Paysandu x Confiança, na Curuzu, em Belém, no dia 10.08.2026 (Rodolfo Marques)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista










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