Publicado em: 9 de setembro de 2026
O Paysandu começou o quadrangular decisivo da Série C da pior maneira possível. Jogando no Mangueirão, diante de sua torcida, o Papão perdeu por 2 a 1 para o Brusque e terminou a primeira rodada zerado, enquanto o adversário largou na liderança do grupo. JP Martins e Marlyson fizeram os gols catarinenses, e Marcinho descontou para o Paysandu – em belo gol, aliás.
Mais preocupante do que o resultado foi a atuação. Em uma fase na qual cada partida tem peso de decisão, o Paysandu pareceu jogar como se ainda houvesse tempo para corrigir os problemas ao longo da competição. Faltou intensidade, faltou agressividade e, sobretudo, faltou senso de urgência. Perder em casa, justamente na estreia, coloca uma pressão enorme sobre tudo o que vem pela frente.
A comissão técnica também tem responsabilidade. O time apresentou dificuldades que não foram corrigidas durante a partida e mostrou pouca capacidade de reação depois de sofrer os gols. O Brusque encontrou espaços, foi mais eficiente e soube administrar a vantagem. Ao Paysandu restou correr atrás do prejuízo. Em uma etapa tão curta, decisões equivocadas, escalações que não funcionam e demora nas mudanças custam caro. Não há espaço para insistir durante 90 minutos naquilo que claramente não está dando resultado.
Mas a derrota não pode ser colocada apenas na conta do treinador. Há uma questão mais profunda, que passa pelo planejamento do clube para a Série C. A campanha irregular na primeira fase já havia apresentado sinais de alerta, mas a classificação para o quadrangular parece ter sido tratada como ponto de chegada, quando deveria ser apenas o início da etapa realmente importante. Se o acesso continua sendo a prioridade absoluta de 2026, era preciso planejamento, elenco, reposições e decisões compatíveis com esse objetivo.
Agora, a matemática é incômoda. Restam cinco partidas, e o Paysandu precisará provavelmente de 9 a 10 pontos, pelo menos, para manter-se vivo na disputa pelo acesso. Isso significa transformar praticamente todos os próximos jogos em decisões. Depois de perder em casa, o Papão terá de buscar pontos fora e, ao mesmo tempo, fazer valer o mando de campo nas partidas restantes. A margem para tropeços diminuiu drasticamente.
O acesso continua possível, evidentemente. O problema é que o Paysandu perdeu a oportunidade de começar uma fase decisiva mostrando força e organização. Se a diretoria, a comissão técnica e os jogadores não compreenderem rapidamente que não existe mais espaço para planejamento tardio, acomodação ou falta de urgência, a temporada que deveria terminar com o retorno à Série B poderá acabar marcada justamente pelo desperdício da maior oportunidade do ano.
Vamos ver os próximos “capítulos” desta história. A gigante torcida bicolor espera que ele tenha um final feliz.
Foto em destaque: Paysandu 1 X 2 Brusque no Mangueirão em 07.09.2026 (Rodolfo Marques)
* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista










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