0
 

O Paysandu conseguiu transformar uma partida que parecia controlável em mais uma derrota que desmonta, quase que integralmente o sonho do acesso. Contra a Inter de Limeira, no sábado (26) à noite, no estádio Major José Levy Sobrinho, o time começou bem, tomou a iniciativa, criou oportunidades e teve domínio territorial. Mas o Papão não aproveitou. O pênalti desperdiçado por Ítalo, aos 20 minutos, cobrado sem a força e a precisão que a situação exigia, foi o primeiro grande sinal de que a noite poderia terminar mal. Pouco depois, o próprio atacante teve outra oportunidade clara e não conseguiu marcar. Ao todo, o Paysandu terminou o jogo com 22 finalizações e 60% de posse de bola, números que contrastam brutalmente com o placar negativo de 2 a 0.

O problema é que, quando o ataque não resolve, a defesa precisa pelo menos sustentar o resultado. E foi justamente aí que o Paysandu voltou a falhar. Aos 41 minutos do primeiro tempo, em uma cobrança de falta aparentemente controlável, Gabriel Mesquita tentou afastar a bola e falhou de maneira grosseira, permitindo o primeiro gol da Inter. Foi o tipo de erro individual que muda completamente o roteiro de uma partida. O Paysandu havia sido superior, mas saiu para o intervalo perdendo. Na volta, quando ainda havia tempo para reagir, outra desatenção defensiva praticamente matou o jogo: em uma cobrança de lateral para a área, três jogadores bicolores foram atraídos para a jogada e Gabriel Dias apareceu livre para fazer 2 a 0.

É difícil não enxergar nessa derrota algo maior do que uma simples noite infeliz. O Paysandu está pagando a conta de um planejamento que não conseguiu montar um elenco suficientemente forte para a competição mais importante da temporada. Faltaram contratações capazes de elevar o nível do time, o grupo mostrou-se curto em momentos decisivos e as mudanças na comissão técnica não produziram a estabilidade necessária. 

A Série C não costuma perdoar esse tipo de combinação. No caso do Paysandu, esses fatores foram se acumulando até chegar ao quadrangular decisivo. O resultado é um time que, mesmo quando consegue produzir futebol suficiente para competir, não demonstra a consistência necessária para transformar desempenho em resultado. A declaração de Mazola Júnior depois da derrota – de que a equipe foi “muito incompetente” e vem sofrendo gols por erros inadmissíveis – sintetiza uma crise que ultrapassa os 90 minutos de Limeira.

A matemática ainda não eliminou o Paysandu, mas tornou o caminho extraordinariamente estreito. Depois do empate entre Brusque e Ferroviária, no domingo (27) o Papão permanece com apenas um ponto, contra oito da Ferroviária, seis da Inter e cinco do Brusque. Para continuar vivo, precisa vencer os dois jogos restantes e ainda depender de uma combinação de resultados dos adversários. Ou seja, o acesso já não está nas mãos do próprio Paysandu. Isso é especialmente frustrante porque a Série C era, desde o início, o grande objetivo da temporada. O clube bicolor corre o risco de fracassar justamente na competição que deveria orientar todo o planejamento esportivo do ano.

Agora resta disputar duas partidas, uma delas contra a própria líder Ferroviária, em Belém, e outra diante do Brusque, no estádio Augusto Bauer, em Santa Catarina. Enquanto houver possibilidade matemática, é correto competir e tentar vencer. Todavia, também é necessário olhar além dos números e reconhecer o que esta campanha está dizendo sobre o clube. Se o acesso escapar, fica claro que os erros individuais dentro das partidas são apenas a consequência mais visível de problemas de planejamento, montagem do elenco, escolhas técnicas e gestão que vêm sendo acumulados há meses – ou há anos.

Foto em destaque: Inter de Limeira-SP 2 X 0 Paysandu no no estádio Major José Levy Sobrinho em 26.09.2026 (Mathaus Pauxis, jornalista paraense)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

A turma do KN 

Previous article

Afinal, o que é um voto consciente?

Next article

You may also like

Comments