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A derrota por 1 a 0 para o Maringá, no Mangueirão cheio, neste sábado (29), encerrou a primeira fase da Série C com uma síntese bastante fiel do que tem sido o Paysandu em 2026: um time capaz de apresentar bons momentos, criar oportunidades, mobilizar sua torcida, mas também de desperdiçar chances, perder intensidade e cometer erros que acabam custando caro. 

O gol de Raí Natalino, aos 39 minutos do segundo tempo, transformou uma partida que parecia caminhar para o empate em mais uma frustração diante de mais de 40 mil torcedores. O resultado fez o Papão despencar para a sétima colocação, embora tenha garantido a classificação para o quadrangular do acesso.

A campanha, olhando os números friamente, não é desprezível: foram 9 vitórias, 2 empates e 8 derrotas em 19 rodadas. Das vitórias, cinco aconteceram em casa e quatro fora; os dois empates ocorreram em Belém, enquanto as oito derrotas se dividiram entre três como mandante e cinco como visitante. É uma trajetória que revela justamente a irregularidade do Paysandu. Não há uma identidade suficientemente consolidada. O time alterna partidas de bom nível com atuações abaixo do esperado e, principalmente, demonstra uma preocupante instabilidade no comportamento dentro de campo.

A defesa continua sendo um dos pontos mais frágeis. O Paysandu concede espaços, perde duelos importantes e, em determinados momentos, parece não conseguir controlar o jogo quando a intensidade diminui. Contra o Maringá, teve chances para vencer, acertou a trave com Ítalo e desperdiçou outras oportunidades, mas terminou castigado justamente quando o adversário passou a encontrar mais espaços. Há uma dificuldade coletiva para sustentar concentração e intensidade durante os 90 minutos.

Nesse cenário, Júnior Rocha e a comissão técnica têm sua parcela de responsabilidade. O treinador tem encontrado dificuldades para definir uma equipe, lidar com as limitações do elenco e fazer o time manter o mesmo nível de competitividade durante toda a partida. Mas seria simplista colocar toda a conta no comandante. O elenco é curto, há poucas alternativas para determinadas posições e o planejamento da diretoria não parece ter considerado adequadamente as exigências de uma temporada que chegaria a setembro com o Paysandu disputando uma vaga na Série B. As dificuldades de hoje são, portanto, resultado de uma combinação entre escolhas técnicas, limitações do grupo e um planejamento que não entregou ao treinador todas as ferramentas necessárias.

Agora, porém, não há muito espaço para lamentações. A primeira fase acabou, e o que interessa é que o Paysandu está entre os oito que continuam vivos na disputa pelo acesso. Na sétima posição, o Papão caiu no grupo que reúne Brusque, Ferroviária e Inter de Limeira. Serão seis partidas, em turno e returno, e os dois melhores avançam à Série B de 2027. A estreia será diante do Brusque, em Belém. É aí que começa, efetivamente, a temporada que o torcedor considera decisiva.

O Paysandu chega ao quadrangular cercado de dúvidas, mas também carrega dois fatores que não podem ser desprezados: a força da Fiel e o peso histórico de uma camisa acostumada a decisões. O time precisará jogar muito mais do que jogou em boa parte da primeira fase, corrigir suas fragilidades defensivas, encontrar maior regularidade e, sobretudo, transformar a energia das arquibancadas em intensidade dentro de campo. Acima de tudo, o Paysandu precisa fazer gols!

A classificação veio, mas o futebol apresentado ainda não inspira segurança. E talvez seja justamente essa o grande desafio para as próximas semanas, com as seis “finais”: virar a chave e fazer o clube alcançar o seu principal objetivo em 2026, que é voltar à Série B. 

Foto em destaque: Paysandu 0 X 1 Maringá no Mangueirão em 29.08.2026 (Rodolfo Marques)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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