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O Paysandu conseguiu complicar ainda mais o que já era difícil. A derrota por 1 a 0 para a Ferroviária, em Araraquara, neste domingo (13), foi a segunda consecutiva no quadrangular, a terceira seguida na Série C e a nona derrota nos últimos 13 jogos. O Papão segue zerado no grupo e vê a Série B 2027 ficar cada vez mais distante. 

Mas é preciso dizer: a crise não nasceu neste jogo. Ela foi construída aos poucos, em decisões equivocadas de planejamento e, principalmente, na insistência em um trabalho que já dava sinais evidentes de desgaste. Júnior Rocha teve méritos, conquistou títulos e conduziu o time até o quadrangular, mas o futebol apresentado vinha em trajetória descendente. A diretoria demorou para agir e acabou trocando o treinador somente quando a margem de erro praticamente sumiu, somando-se ao fato de um elenco limitado e com poucas alternativas. 

Dentro de campo, o problema ficou ainda mais evidente. Time mal escalado, pouco organizado, sem articulação e sem capacidade de transformar posse em oportunidades reais. As três últimas atuações foram muito ruins e revelaram um elenco que parece ter perdido confiança, identidade e entendimento sobre o que precisa fazer em campo. Para além da comissão técnica, há responsabilidade de quem montou o grupo, de quem avaliou as peças e de quem acreditou que determinadas carências poderiam ser resolvidas durante a competição.

Agora chega Mazola Júnior, velho conhecido da torcida bicolor e personagem de uma história que já teve capítulos importantes em Belém. A escolha pode funcionar justamente porque o momento exige alguém capaz de reorganizar rapidamente a equipe, recuperar jogadores emocionalmente abalados e, sobretudo, devolver ao Paysandu uma identidade competitiva. Não há tempo para laboratório, invenções ou discursos bonitos. O Papão precisa voltar a jogar futebol, e precisa fazer isso imediatamente.

Matematicamente, o Paysandu não está eliminado, e enquanto houver possibilidade, o torcedor tem todo o direito de acreditar. O time precisará transformar a Curuzu em caldeirão, vencer, somar pontos e torcer por tropeços dos adversários. O cenário é crítico, mas o futebol brasileiro já produziu viradas muito mais improváveis. A questão é saber se o esse Papão de 2026 ainda tem força para protagonizar uma delas.

A torcida bicolor já fez a sua parte muitas vezes e continuará fazendo. Agora é a vez da diretoria, da nova comissão técnica e dos jogadores. Chega de adiar o problema, chega de procurar desculpas e chega de jogar como se a Série B fosse um direito adquirido. O Paysandu está diante de um daqueles momentos em que a temporada pode terminar em frustração ou ganhar uma reviravolta histórica. 

Mazola Júnior recebe uma missão hercúlea: transformar um time desarticulado em uma equipe que ainda acredita. Para o torcedor, resta uma provocação: se for para morrer, que seja brigando; porque, enquanto a matemática disser “sim”, a Fiel tem obrigação de acreditar.

Foto em destaque: Romulo Pinheiro, advogado e professor (estádio Fonte Luminosa – Araraquara-SP, neste domingo, 13, no jogo Ferroviária-SP 1 X Paysandu 0)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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