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O Remo conseguiu transformar uma noite que poderia marcar a reação na Série A em mais um capítulo de frustração. Diante do Coritiba, no Mangueirão, o time chegou a virar a partida e esteve muito próximo de conquistar três pontos fundamentais na luta contra o rebaixamento. Entretanto, sofreu o empate e, nos acréscimos, levou o terceiro gol, justamente dos pés de Pedro Rocha, ex-jogador azulino. O placar de 3 a 2 escancarou novamente a dificuldade do Remo em administrar partidas que parecem sob controle.

Com o resultado, o Remo permanece na vice-lanterna, com 23 pontos, cinco vitórias, oito empates e, agora, doze derrotas. O que mais preocupa a torcida, em tese, é a incapacidade de transformar oportunidades em pontos. O time chegou a ter a possibilidade de deixar o Z-4, mas terminou a rodada exatamente onde começou: entre os quatro últimos. A permanência na zona de rebaixamento já se estende por 21 rodadas, um indicador que revela a dimensão do problema.

Restam 13 partidas – sendo 7 em Belém. O Remo precisa encontrar respostas rapidamente, porque cada rodada que passa reduz o espaço para recuperação. O calendário coloca o clube diante de adversários que, em diferentes momentos, demonstraram maior consistência. A margem de erro ficou perigosamente pequena. O clube azulino precisaria aumentar – e muito – o seu aproveitamento na competição. Atualmente, o Remo conquistou 30,67% dos pontos disputados na competição.

E, diante disso, algumas perguntas são inevitáveis. É hora de mudar novamente o comando técnico? É necessário contratar mais jogadores? O elenco ainda pode oferecer uma resposta diferente? Ou o caminho é concentrar todas as forças em um jogo de cada vez? Não existem respostas simples. O que se mostra claro é que o planejamento da temporada foi insuficiente para uma competição da dimensão da Série A e que as decisões tomadas antes e ao longo do campeonato não conseguiram corrigir integralmente os problemas.

O mais doloroso para o torcedor remista talvez seja perceber que esta poderia ser uma oportunidade histórica. Depois de mais de três décadas distante da elite nacional, o clube voltou à Série A com a possibilidade de se reposicionar esportiva e institucionalmente no futebol brasileiro. Em vez disso, semana após semana, vem desperdiçando uma chance que não aparece com frequência. A derrota para o Coritiba representou a perda de uma oportunidade concreta de respirar na tabela e mudar o ambiente em torno da equipe.

Para os azulinos, enquanto houver possibilidade matemática, não há espaço para entregar os pontos. O Remo precisa transformar urgência em ação, planejamento em decisões e indignação em futebol competitivo. O relógio corre, a tabela aperta e o rebaixamento deixa de parecer uma ameaça distante para se tornar uma possibilidade cada vez mais palpável. 

A grande pergunta, agora, é se o Remo ainda terá tempo para descobrir como reagir; ou, por outro lado, se 2026 ficará marcado como o ano em que uma das maiores oportunidades dos últimos 30 anos escapou pelas mãos.

Foto em destaque: Remo 2 x 3 Coritiba no Mangueirão em 31.08.2026 (Henrique Herrera, jornalista)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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