0
 

O Remo perdeu por 2 a 1 para o Santos, neste sábado (19), no Mangueirão, pela 28ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Foi a 15ª derrota azulina na competição e a quarta consecutiva, resultado que mantém o clube na 19ª colocação, com apenas 23 pontos. O resultado negativo reforça a dimensão da crise de uma equipe que voltou à elite depois de 32 anos, mas não conseguiu se estabelecer no campeonato.

O cenário é ainda mais preocupante quando se observa a sequência recente. O Remo chegou a oito jogos consecutivos na competição sem vencer e atravessa dois meses de resultados negativos. Os números projetados por modelos matemáticos, como os da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apontam risco de rebaixamento superior a 94%. A matemática ainda permite combinações e reviravoltas, mas o campo de jogo apresenta um quadro cada vez mais difícil de ser revertido. A distância para a permanência aumenta enquanto as rodadas diminuem.

A mudança no comando técnico também não produziu, até aqui, a reação esperada. Claro que é pouco tempo, reconheça-se. A saída de Léo Condé e a chegada de Thiago Carpini foram acompanhadas pela expectativa de uma mudança de comportamento, mas os resultados continuam negativos. Contra o Santos, o Remo novamente mostrou dificuldades para transformar momentos de bom futebol em resultado. A equipe até conseguiu competir em determinados períodos, mas voltou a sofrer com erros, limitações ofensivas e a incapacidade de sustentar uma reação quando mais precisava.

O problema ultrapassa a margem do campo e alcança o planejamento da temporada. O Remo montou um elenco numeroso, mas algumas contratações recaíram sobre jogadores que chegaram sem o mesmo vigor físico e desempenho técnico de outros momentos da carreira. Em uma competição como a Série A, na qual intensidade, regularidade e capacidade de reposição são fundamentais, escolhas equivocadas custam caro. A montagem do elenco e a condução do futebol precisam ser colocadas no centro da discussão, porque a crise não nasceu apenas nas últimas dez rodadas.

O retorno à Série A, que deveria representar a consolidação de um novo momento na história do clube, corre o risco de terminar como uma passagem frustrante pela elite. Depois de 28 rodadas, são apenas 23 pontos, 15 derrotas e uma sequência que não oferece sinais consistentes de recuperação. O Santos saiu do Mangueirão com três pontos, enquanto o Remo ficou diante de uma realidade cada vez mais incômoda: o Remo não consegue performar e vencer. 

Agora, a parada provocada pela Data Fifa oferece alguns dias para reorganizar a casa, recuperar jogadores e tentar encontrar uma última reação. Mas também deveria servir para uma reflexão muito mais profunda nos bastidores. Se a diretoria planejou mal, o treinador não conseguiu mudar o cenário e o elenco não responde, quem assumirá a responsabilidade pelo fracasso? 

O torcedor pode – e deve – até continuar acreditando enquanto houver possibilidade matemática. Mas, a cada nova derrota, a pergunta deixa de ser se o Remo será rebaixado e passa a ser: quanto tempo ainda falta para a queda deixar de ser uma ameaça e virar realidade?

Foto em destaque: Remo 1 X 2 Santos no Mangueirão em 19.09.2026 (Henrique Herrera, jornalista paraense)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

O ministro entrou em campo

Previous article

Estudantes de Oriximiná vencem na FEBIC 2026 e conquistam credencial para Nova York

Next article

You may also like

Comments