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O Remo perdeu para o Flamengo por 1 a 0, no Mangueirão, e a situação que já era preocupante começa a ganhar contornos de desespero. Foi a 13ª derrota azulina no Campeonato Brasileiro, a terceira consecutiva. Com apenas 23 pontos e aproveitamento inferior a 30%, o Remo permanece afundado na zona de rebaixamento. A questão, a esta altura, já não é saber se a campanha é ruim. A pergunta é se ainda há tempo para consertá-la.

Perder para o Flamengo não é exatamente uma surpresa. O adversário, afinal, é líder do campeonato, tem um elenco muito superior e chegou a Belém embalado por uma campanha de candidato ao título. O problema é que o Remo não está em condições de escolher adversários contra os quais pode ou não perder pontos. Quando se perde três partidas seguidas, o campeonato vai ficando curto demais para quem precisa desesperadamente reagir.

Contra o Flamengo, houve momentos em que o Remo conseguiu competir. O goleiro Marcelo Rangel, inclusive, fez uma defesa espetacular em finalização de Pedro e evitou que a derrota fosse mais larga. Mas é justamente aí que mora o problema: competir não basta mais. O Remo precisa pontuar. Precisa vencer. 

E o cenário no Mangueirão, por si só, mostrou a dimensão do que está em jogo. Fora do gramado, a torcida do Remo compareceu em grande número, empurrando a equipe mesmo diante de mais um resultado negativo. A torcida do Flamengo também se fez presente, ocupando cerca de 25% do estádio. A chuva, tão típica de Belém, fez-se presente também. 

Só que, enquanto a torcida faz a sua parte, a tabela não oferece espaço para romantismo. A matemática é implacável. Se 43 ou 44 pontos forem suficientes para escapar do rebaixamento, o Remo terá de conquistar mais 20 ou 21 pontos nas 12 rodadas restantes. Isso significa um aproveitamento entre 55% e 58% daqui até o fim. Em outras palavras: o Remo terá de passar a jogar como um time de parte de cima da tabela para corrigir uma campanha que, até agora, é de forte candidato ao descenso. Não é impossível. Mas é uma missão cada vez mais difícil, sobretudo porque as projeções já colocam o risco de queda próximo de 80%.

E há outro agravante: o tempo. O campeonato não vai esperar o Remo recuperar confiança, encontrar seu melhor futebol ou finalmente encaixar uma sequência positiva. A distância para quem está acima aumenta, enquanto o número de partidas disponíveis diminui. O jogo contra o Bahia, fora de casa, no dia 14, será mais uma oportunidade – mas também mais uma demonstração de que o Remo já entrou naquela fase do campeonato em que empates podem ser pouco e derrotas podem custar uma temporada inteira.

O time azulino precisa reagir agora, nas próximas rodadas, antes que a distância para os adversários se torne irreversível. A Série A ainda não acabou, mas o relógio está correndo – e, neste momento, cada ponto perdido aproxima o clube de um desfecho que a torcida certamente não quer viver.

Foto em destaque: Remo 0 X 1 Flamengo no Mangueirão em 06.09.2026 (Henrique Herrera)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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