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O Remo perdeu de novo. Desta vez, para o Bahia, por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, nesta segunda (14). Foi a quarta derrota consecutiva e a 14ª em 27 rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A. Mais uma vez, o time azulino esteve diante de um adversário superior, que controlou boa parte da partida, criou as melhores oportunidades e teve condições de construir uma vantagem ainda maior. O resultado é consequência de uma campanha marcada pela dificuldade do Remo em competir de igual para igual com boa parte dos adversários. O Bahia, que chegou à quarta vitória consecutiva e retornou ao G-4, confirmou em campo a enorme distância que hoje separa as duas equipes.

A derrota produziu também uma consequência inevitável: a saída de Léo Condé. O treinador foi demitido após seis meses de trabalho e 31 partidas à frente do Remo, com aproveitamento de 34,4%. A mudança no comando pode até produzir algum impacto imediato, sobretudo emocional, mas seria um erro imaginar que a troca de treinador resolve os problemas do Remo. Condé é apenas mais uma peça de uma engrenagem que não funcionou. O futebol apresentado pelo time, a irregularidade, a dificuldade para enfrentar adversários mais qualificados e a sequência de resultados negativos revelam problemas muito mais profundos do que aqueles que podem ser atribuídos exclusivamente ao trabalho de um técnico.

A matemática é cruel. Com apenas 23 pontos em 27 jogos (28,39% de aproveitamento) na competição, o Remo está mergulhado na zona de rebaixamento e terá somente 11 partidas para tentar transformar uma campanha muito ruim em uma reação extraordinária. Para alcançar uma pontuação que lhe permita sonhar concretamente com a permanência, será necessário um aproveitamento de reta final muito superior ao apresentado até aqui. Na projeção mais otimista, seriam necessários pelo menos seis vitórias e três empates nos 11 jogos restantes. É uma missão possível matematicamente, mas extremamente difícil diante do que o time mostrou ao longo da competição. A cada rodada, o espaço para erros diminui, enquanto a pressão aumenta.

E é justamente por isso que o rebaixamento começa a parecer iminente. Ainda não está consumado, evidentemente. Enquanto houver pontos em disputa, existe possibilidade de reação. O Remo tentará agora recomeçar sob nova direção, provavelmente buscando um treinador capaz de reorganizar rapidamente uma equipe que perdeu confiança e competitividade. O novo comandante precisará encontrar soluções quase imediatamente, porque a margem para recuperação é mínima. Será necessário construir uma sequência de resultados que, até aqui, o Remo não conseguiu produzir.

A crise azulina nasceu na própria construção da temporada. O Remo não se preparou adequadamente para o maior desafio de sua história recente. Depois de 31 anos longe da elite nacional, justamente quando deveria ter tratado a Série A como um projeto estratégico, o clube planejou mal praticamente todos os seus passos. Contratações, montagem do elenco, decisões esportivas e mudanças de rota foram incapazes de formar uma equipe à altura da competição. O campeonato expõe rapidamente quem se preparou para competir e quem apenas conseguiu chegar até aqui. O Remo chegou, mas não conseguiu se estruturar para permanecer.

Resta agora lutar até o último minuto. É obrigação do clube, dos jogadores, da nova comissão técnica e de todos os envolvidos acreditar enquanto a matemática permitir. O Remo está diante de uma missão gigantesca. A reação ainda é possível, mas exigirá algo próximo de uma transformação. Caso ela não aconteça rapidamente, o destino que hoje parece iminente ficará praticamente inevitável.

A ver como serão os próximos passos, nas onze rodadas restantes. 

Foto em destaque: Bahia 2 X 1 Remo na Arena Fonte Nova, em 14.09.2026 (Cláudio André)



* O conteúdo do artigo reflete a opinião pessoal da/o colunista

Rodolfo Marques
Rodolfo Marques é professor universitário, jornalista e cientista político. Desde 2015, atua também como comentarista esportivo. É grande apreciador de futebol, tênis, vôlei, basquete e F-1.

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