0
 

O Centro Histórico de Belém vai virar um aulão a céu aberto no dia 2 de agosto. A partir das 8h, o antigo Museu do Bonde, na Avenida Portugal, concentra o público do primeiro “Rolé por Belém”, passeio guiado e gratuito que percorre nove pontos da cidade em duas horas e meia de caminhada.

O roteiro atravessa os casarões e palacetes da Belle Époque na Rua João Alfredo, o chamado Reduto dos Mercadores e a Rua dos Cavalos, além de igrejas e praças ligadas aos quatro séculos de fundação da capital parauara, datada de 1616 e considerada a mais antiga da região Norte.

A iniciativa junta, pela primeira vez, duas metodologias de educação patrimonial premiadas pelo IPHAN, no que é considerado o Oscar do Patrimônio Cultural. De um lado, o Rolé Brasil, que há catorze anos promove passeios a pé por cidades como Fortaleza, Recife, Manaus, São Paulo, Florianópolis, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Marabá, e agora chega a Belém. De outro, os Roteiros Geo-Turísticos, projeto de extensão da Universidade Federal do Pará coordenado pela professora doutora Maria Goretti da Costa Tavares, do Grupo de Pesquisa de Geografia do Turismo (GGEOTUR).

“A cidade de Belém somente terá a ganhar com o fortalecimento das ações de educação patrimonial”, afirma Maria Goretti.

O passeio abre a programação do Perifa.Doc na capital, projeto de formação audiovisual nascido da parceria entre o Rolé Brasil e a FavelAcademy.

Para Isabel Seixas, idealizadora do Rolé Brasil, a proposta vai além da celebração dos 410 anos de Belém, completados em janeiro. “Dar um ‘Rolé’ é uma das formas de reconectar os moradores ao território, valorizando as histórias que muitas vezes não são contadas. As pessoas passam a ter um outro entendimento da sua própria história e de como ela se relaciona com diferentes aspectos das ruas que passam todos os dias”, explica.

A caminhada começa no Novo Restaurante Popular Dr. Osvaldo Coelho, onde funcionava o Museu do Bonde, e segue para o conjunto arquitetônico da Rua João Alfredo, marcado pelo contraste entre as fachadas do ciclo da borracha e o comércio intenso da região.

O trajeto passa ainda pela Praça e pela Igreja das Mercês e pelo Convento dos Mercedários, espaços que contam a relação entre fé e formação histórica da antiga Santa Maria de Belém do Grão-Pará.

Na segunda metade do percurso, o grupo caminha pelas travessas Frutuoso Guimarães e Campos Sales até o Arquivo Público do Pará, que guarda mais de 4 milhões de registros da Amazônia Legal. A Capela Pombo, a Igreja de Santana e a Associação Comercial do Pará fecham o roteiro.

O Rolé é o pontapé inicial do ciclo de formação em cinema documental do Perifa.Doc, que segue em Belém entre 3 de agosto e 17 de setembro com oficinas, cineclubes, aulas teóricas e ilha de edição de curtas-metragens.

Sob um olhar decolonial, vinte jovens vão transformar as memórias das periferias em documentários, exibidos ao vivo para toda a cidade em um festival audiovisual inédito previsto para setembro. Antes de Belém, o projeto movimentou a cena cultural de Marabá.

“O território é o ponto de partida para que esses jovens possam ampliar suas vozes, histórias e memórias a partir do cinema. Quando a gente fala de documentários, existem milhares de possibilidades em cada esquina, e o Rolé chega para ajudar a sensibilizar esses olhares”, diz Leo de Souza Santos, diretor e responsável pela formação audiovisual do projeto.

 

 

Serviço

1º Rolé por Belém – Perifa.Doc Data: domingo, 2 de agosto 

Concentração: 8h 

Início do roteiro: 8h30 

Ponto de encontro: antigo Museu do Bonde (Novo Restaurante Popular Dr. Osvaldo Coelho, Avenida Portugal) 

Entrada: gratuita 

Mais informações: www.perifadoc.com.br e instagram.com/perifadoc

Foto em destaque: criança no “Rolé por Marabá” (Paulo Favaro)

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

Estados e municípios têm até 31 de julho para aderir à rede nacional da primeira infância

Previous article

Nova regra amplia alimentos de povos tradicionais na merenda escolar

Next article

You may also like

Comments