Publicado em: 5 de agosto de 2026
Quem vende e quem compra carne produzida na Amazônia vai saber, no dia 20 de agosto, quais frigoríficos abrem suas compras de gado à checagem externa e o quanto cada um deles cumpre a legislação ambiental e social. O Ministério Público Federal divulgará nessa data os resultados do 3º ciclo unificado de auditorias na cadeia econômica da pecuária na Amazônia Legal, em Cuiabá.
O levantamento alcança frigoríficos instalados em seis estados: Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. O índice de conformidade que sai da auditoria separa as empresas que sustentam o controle da origem do gado daquelas que operam fora da lei ou simplesmente não mostram de onde vem sua matéria-prima. É essa distinção que o MPF pretende colocar diante do mercado consumidor nacional e internacional.
As checagens miram o rigor da compra. Um frigorífico que não rastreia direito seu fornecedor pode terminar abatendo animais criados em área de desmatamento ilegal, em terra grilada, em fazenda flagrada com trabalho escravo, dentro de unidade de conservação, de terra indígena ou quilombola invadida, ou em propriedade sem regularização ambiental. Basta um elo frouxo para contaminar a cadeia inteira.
Os acordos que sustentam essa fiscalização começaram em 2009, quando o MPF passou a fechar termos de ajustamento de conduta com os frigoríficos que atuam na região, os TACs da Carne Legal. De lá para cá, empresas do setor e redes varejistas assumiram por conta própria compromissos públicos de monitorar suas compras de gado amazônico.
Como cada instrumento trazia suas próprias exigências, foi montado um protocolo unificado de monitoramento de fornecedores, com procedimento de auditoria padronizado. Os números do dia 20 saem justamente do terceiro ciclo aplicado sob esses critérios comuns, em frigoríficos de toda a Amazônia.
Procuradoras da República que atuam na defesa do bioma vão apresentar e debater os resultados. O encontro começa às 8h30, na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso, no Centro Político Administrativo. É aberto a qualquer pessoa, com convites dirigidos ao poder público, a organizações sociais, à academia e a entidades da cadeia produtiva.
Dentro do MPF, o TAC da Carne Legal fica sob a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, a 4CCR, por meio da Comissão Amazônia Legal. Na ponta operacional, entram o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, com o programa Boi na Linha, e a organização Amigos da Terra – Amazônia Brasileira. Cabe às duas manter a estrutura de apoio que faz a ponte entre frigoríficos, pecuaristas e sociedade, nas chamadas Câmaras Sociais.
A parte técnica tem respaldo de uma câmara formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, pela Universidade de Wisconsin-Madison e pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia.
Serviço:
Divulgação dos resultados do 3º ciclo unificado de auditorias do Carne Legal
Data: 20 de agosto de 2026
Hora: 8h30
Local: sede da Famato, Centro Político Administrativo (CPA), Cuiabá (MT)
Inscrições pelo formulário eletrônico (clique aqui).










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