Publicado em: 28 de julho de 2026
A pré-candidata a deputada estadual Renata Fonseca tem um perfil singular. Ela sempre preferiu trabalhar em silêncio e na sombra, e se manteve nos últimos oito anos longe dos holofotes até mesmo nos eventos oficiais do município em que é a primeira-dama. Esposa do prefeito de Oriximiná, Delegado Fonseca, e cunhada do prefeito de Terra Santa, Siqueira Fonseca, calça desde sempre as sandálias da humildade, em contraste com o glamour ostentado pela maioria, o que já faz a diferença. E não à toa ela é considerada forte politicamente em toda a região Oeste do Pará. Graduada em Administração e pós-graduada em Segurança Pública, é policial civil concursada e atuou como secretária municipal de Assistência Social, ganhando premiações nacionais por práticas inovadoras, desempenho, organização e resultados.
Enfrentou anos difíceis quando foi transferida para município distante e a família ficou separada fisicamente por centenas de quilômetros e um mundão de águas, embora tivesse o direito constitucional de morar e trabalhar na mesma cidade. O casal renovou os votos do casamento recentemente, em cerimônia simples, como é seu feitio. Renata ganhou do marido postagem não só amorosa como de respeito e admiração por sua trajetória e conduta. Ele pontuou que ela nunca quis aparecer, mas servir. E que talvez seja exatamente disso que o povo precise: pessoas que entendam que o poder não engrandece ninguém, apenas revela quem cada um sempre foi.
A jovem candidata foi a única mulher a disputar uma vaga no Senado pelo Pará, em 2022, e defende a participação feminina na política, enfatizando que é preciso fortalecer uma cultura de combate à violência política contra mulheres.
Não basta ser mulher, obviamente. É preciso compromisso com a causa. Mulheres são duas vezes mais afetadas por dupla jornada – profissional e trabalho doméstico não remunerado. Quase metade das Casas legislativas do Brasil ainda não prevê licença-maternidade. A sub-representação de mulheres na política e a falta de efetividade das leis de proteção evidenciam a necessidade de idealização, construção e execução de políticas públicas que considerem as questões femininas. “Minha obrigação aqui é abrir caminho para outras e muitas mulheres. Desistir não está no meu vocabulário. Desistam eles, os machistas. O Pará precisa conquistar políticas públicas que só uma mulher que sente na própria pele essas dificuldades tem coragem e firmeza para lutar por elas”, diz Renata Fonseca.
A reflexão acerca da vida pública enfatiza os discursos. Mas é fato: existem virtudes que não cabem em um palanque. Elas aparecem na forma como alguém trata um desconhecido, na serenidade diante das dificuldades e na dedicação diária aos que mais precisam. A candidatura de Renata vem prosperando também pela coragem e determinação dela, que prescinde de validação masculina.










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