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Portel receberá neste sábado (4) representantes de cooperativas, associações comunitárias, produtores rurais e instituições públicas para discutir estratégias de fortalecimento da economia da sociobiodiversidade no arquipélago do Marajó. O I Encontro da Rede Marajó Sustentável concentrará os debates sobre as cadeias produtivas do açaí e do cupuaçu, com a meta de ampliar o acesso a mercados, estimular o cooperativismo e criar uma agenda conjunta voltada à geração de renda e ao desenvolvimento sustentável das comunidades ribeirinhas.

A programação acontecerá na sede do IDE Sem Fronteiras, às margens do Rio Pacajá, e integra as ações do Projeto Empoderamento Feminino e Economia Criativa. O encontro busca ampliar a cooperação entre organizações comunitárias e fortalecer o cooperativismo como estratégia para impulsionar a produção sustentável e ampliar a inserção dos produtos marajoaras em novos mercados.

Além de representantes de associações, cooperativas e produtores, o evento reunirá organizações da sociedade civil e órgãos públicos para discutir alternativas que fortaleçam a economia regional sem desvincular o desenvolvimento da conservação ambiental e da valorização dos conhecimentos tradicionais.

Com o tema “Rede Marajó Sustentável: Fortalecendo Parcerias, Produzindo Riquezas e Conectando Comunidades aos Mercados”, o encontro propõe integrar diferentes atores que atuam no território marajoara, promovendo a troca de experiências, o compartilhamento de soluções e a construção de estratégias voltadas ao crescimento econômico baseado na sociobiodiversidade amazônica.

Segundo Marcos Ribeiro, coordenador do IDE Sem Fronteiras, o encontro também pretende ampliar as possibilidades de comercialização dos produtos locais e incentivar práticas capazes de agregar valor à produção regional: “além de fomentar a cooperação entre associações, cooperativas e produtores, a programação também abordará alternativas para ampliar o acesso a mercados nacionais e internacionais, agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade, incentivar práticas sustentáveis e fortalecer a economia local, conciliando geração de renda, conservação ambiental e valorização dos conhecimentos tradicionais”.

Ao longo da programação, especialistas e representantes de diferentes instituições apresentarão palestras e orientações técnicas sobre temas considerados estratégicos para o desenvolvimento econômico do arquipélago. Parte das atividades contará com convidados conectados remotamente, ampliando o intercâmbio de experiências com iniciativas desenvolvidas em outras regiões do país.

Entre os principais eixos do encontro está a regularização fundiária. O tema será discutido a partir de orientações sobre atualização cadastral de produtores rurais, segurança jurídica no campo e serviços disponibilizados pelo Instituto de Terras do Pará (Iterpa), aspectos considerados fundamentais para ampliar o acesso a políticas públicas e oportunidades de financiamento.

O cooperativismo e o associativismo também terão espaço nas discussões. As atividades abordarão mecanismos de fortalecimento da governança das organizações comunitárias e alternativas para ampliar a comercialização coletiva, estratégia apontada como caminho para aumentar a competitividade da produção local.

Outro foco da programação será a qualificação das cadeias produtivas do açaí e do cupuaçu. As palestras tratarão de técnicas de plantio, manejo, beneficiamento, certificações e rastreabilidade, temas que ganharam importância diante da crescente demanda por produtos amazônicos associados a critérios de sustentabilidade e qualidade.

A agenda também reserva espaço para discutir licenciamento ambiental, conservação dos recursos naturais e oportunidades relacionadas aos serviços ambientais, buscando demonstrar como a preservação da floresta pode caminhar ao lado da geração de renda para as comunidades.

A cultura e o turismo de base comunitária completam os debates previstos para o encontro. A proposta é destacar o potencial econômico dos saberes tradicionais e da identidade marajoara como ativos capazes de impulsionar novas atividades produtivas e diversificar as fontes de renda das populações locais.

A Rede Marajó Sustentável tem como objetivo avançar além da realização do evento e se consolidar como um espaço permanente de articulação entre organizações comunitárias, produtores e instituições parceiras, fortalecendo ações coletivas voltadas ao desenvolvimento sustentável do arquipélago. O projeto é patrocinado pela Equatorial Energia.

Fotos: Ascom Equatorial Energia

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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