Publicado em: 30 de setembro de 2026
A Associação de Críticos de Cinema do Pará exibe amanhã, 1º, às 18h30, no Cine Líbero Luxardo, uma das obras-primas de Akira Kurosawa: Ran (1985), em cópia restaurada em 4K a partir do negativo original, digitalizado quadro a quadro pelo laboratório Eclair, sob supervisão da Studiocanal e em colaboração com a japonesa Kadokawa. A correção de cor foi acompanhada por Masaharu Ueda, um dos diretores de fotografia do filme e colaborador próximo de Kurosawa.
A Sessão Cult Debate estimula o público a debater os filmes, refletir sobre eles e compartilhar diferentes experiências do cinema.
Essa tradição remonta ao cineclube da então Associação Paraense de Críticos de Cinema (APCC), criado em 1967, que promoveu sessões, debates e cursos de cinema em diferentes espaços de Belém. A experiência cineclubista contribuiu para a formação de novos públicos e para a construção de um pensamento crítico sobre o cinema como arte.
Ao longo de sua trajetória, a ACCPA manteve essa vocação de aproximar cinema, crítica, cinefilia e formação de público, utilizando a sessão cinematográfica como espaço de encontro e reflexão. As sessões seguidas de debates são parte fundamental de uma história que entende a crítica não apenas como texto publicado, mas também como conversa, escuta e construção coletiva de conhecimento sobre o cinema, conta o professor doutor Marco Antonio Moreira, que coordena a iniciativa.
Ran é uma monumental adaptação de “Rei Lear”, de William Shakespeare, transportada para o Japão feudal. A narrativa acompanha o senhor feudal Hidetora Ichimonji, que, já envelhecido, decide dividir seu domínio entre os três filhos. A decisão desencadeia uma sucessão de conflitos, traições e mortes, revelando a fragilidade do poder e as consequências devastadoras da ambição, da violência e da guerra.
A força de Ran está também na extraordinária construção visual de Kurosawa. As paisagens, os movimentos dos exércitos, os figurinos, as cores e a composição dos planos transformam o campo de batalha em uma espécie de pintura em movimento. A dimensão épica convive com uma reflexão profundamente trágica sobre a condição humana, a velhice, a loucura, a violência e a destruição provocada pela disputa pelo poder.
Um dos mestres do cinema mundial, Akira Kurosawa é incensado por suas obras, entre as quais Rashomon, Os Sete Samurais, Trono Manchado de Sangue, Yojimbo, Kagemusha e Ran. Recebeu a Palma de Ouro em Cannes por Kagemusha (1980) e, em 1990, ganhou um Oscar honorário por sua trajetória, que inspirou e influenciou cineastas de todo o planeta.
Ran também recebeu quatro indicações ao Oscar de 1986 — Direção, Fotografia, Direção de Arte e Figurino — e venceu o prêmio de Melhor Figurino, para Emi Wada.











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