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Em Pacuí de Cima e Pacuí de Baixo, duas comunidades ribeirinhas de Cametá, no nordeste do Pará, moradoras com mais de 60 anos passaram a receber rodas de conversa e atividades de educação em saúde sobre prevenção de quedas, saúde mental, direitos da pessoa idosa e segurança alimentar. Quem leva as ações até lá é a Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do projeto de extensão “EnvelheSENDO rio abaixo, rio acima”.


Foi no balcão dos serviços de saúde do município que a equipe percebeu o que estava faltando. Durante os atendimentos apareceram demandas da própria comunidade por estratégias de educação em saúde capazes de contribuir com o envelhecimento saudável do território.


O diagnóstico por trás do trabalho é mais antigo que o próprio projeto. Envelhecer longe da sede do município significa, na prática, envelhecer longe da rede de saúde. O perfil populacional de pessoas com mais de 60 anos que vivem em comunidades ribeirinhas é historicamente desafiado por um processo de exclusão dos serviços de saúde, e é isso que dá peso às atividades de extensão nesses territórios, de suma importância para a reparação de disparidades sociais e pautadas nas principais políticas públicas sobre envelhecimento.


Prevenção de quedas e saúde mental abriram a lista de temas. Depois entraram os direitos sociais garantidos a quem passou dos 60 e a inclusão digital dessa população, que virou também uma frente de comunicação. As próprias participantes ajudam a produzir o conteúdo publicado nas redes do projeto, onde circulam materiais sobre combate ao etarismo, violência contra pessoas idosas, humanização do cuidado e segurança alimentar ribeirinha. Uma das publicações trata da família como rede de apoio no cotidiano das idosas dos rios.


Equipe e comunidade decidem juntas o que será discutido, formato que a coordenação descreve como produção compartilhada de conhecimento.


O amparo às pessoas idosas está inscrito na Constituição Federal, que atribui à família, à sociedade e ao Estado o dever de garantir dignidade, bem-estar e participação na vida comunitária. Com o envelhecimento da população brasileira em ritmo acelerado, esse compromisso encontra sua versão mais difícil justamente nos territórios de várzea.


Para ampliar o alcance das ações, o EnvelheSENDO recebeu inscrições de discentes de Enfermagem da UFPA entre 1º e 6 de setembro, com duas vagas de extensionista voluntária.

Para saber mais sobre as ações: o projeto divulga sua programação em suas redes sociais.

Com informações da Ascom UFPA

Imagem em destaque: Projeto EnvelheSENDO UFPA

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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