Publicado em: 6 de agosto de 2026
Nove comunidades da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns receberam entre 20 e 29 de julho oficinas, rodas de conversa e atividades formativas sobre turismo de base comunitária. A capacitação foi a primeira etapa do projeto “Qualificação Profissional em Turismo de Base Comunitária em Comunidades Ribeirinhas do Rio Tapajós”, do grupo AMA+TUR, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), e chegou às localidades junto com as expedições de saúde do navio-hospital-escola Abaré, Unidade Básica de Saúde Fluvial.
A carona nas viagens do Abaré é o desenho central do projeto. “Ao integrar as ações de qualificação profissional às expedições do Navio Abaré, o projeto ampliou o acesso das comunidades ribeirinhas tanto aos serviços de saúde quanto às oportunidades de formação, contribuindo para a geração de trabalho e renda, o fortalecimento da governança do turismo de base comunitária e a valorização dos patrimônios natural e cultural da Amazônia”, afirma Glauce Vitor da Silva, coordenadora do projeto e docente do Bacharelado em Turismo do Instituto de Formação Interdisciplinar e Intercultural e do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia, ambos da Ufopa.
Passaram pela formação moradoras, empreendedoras e lideranças de Vila Franca, Maripá, Aldeia Solimões, Aldeia Vista Alegre, Aldeia Amorim, Aldeia Marabaixo, Vila Amorim, Anumã e Suruacá. Entre os temas trabalhados estiveram a segurança das mulheres no turismo, a prevenção da exploração sexual de crianças e adolescentes, a gestão de crises e desastres no turismo e a adaptação às mudanças climáticas.
A equipe também fez um diagnóstico participativo com as lideranças para mapear demandas, potencialidades e oportunidades em cada localidade. O levantamento vai orientar as próximas etapas de qualificação, assistência técnica e fortalecimento da governança do turismo.
“Fortalecemos as comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas e consolidar o turismo de base comunitária como estratégia de conservação ambiental, valorização cultural e melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais”, destaca a coordenadora.
Nas visitas, a equipe identificou empreendimentos com potencial para entrar no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos, o Cadastur. Estão na lista meios de hospedagem, restaurantes, bares, serviços de alimentação e outras prestadoras de serviços turísticos.
O cadastro é obrigatório para algumas categorias e facultativo para outras, conforme a legislação. O processo é gratuito e feito on-line. Quem tiver interesse em aderir contará com orientação técnica do projeto, o que abre caminho para a inserção no mercado turístico formal e para o acesso a políticas públicas do setor.
As ações foram desenvolvidas em parceria com as professoras Sarah Batalha, da Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará de Santarém, e Alessandra Arnund, da Universidade Federal do Pará, e com as discentes Ana Costa, do curso de Turismo da Ufopa, e Emanuelle Teixeira, do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia. As metodologias participativas adotadas colocaram o conhecimento científico em diálogo com os saberes tradicionais das populações ribeirinhas.
Com informações da Ascom Ufopa.
Foto em destaque: Acervo do Projeto / Ascom Ufopa










Comments