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Nesta quarta-feira, 2, às 18h, o estande da Academia Paraense de Letras vai mulherar. Haverá a roda de conversa “Presença feminina na literatura parauara”, com as escritoras Betânia Fidalgo Arroyo, Sarah Castelo Branco Rodrigues, Franssinete Florenzano, Márcia Duailibe Forte e Nazaré Mello.


Das quarenta cadeiras, apenas sete são ocupadas por mulheres na APL, que, ao longo de 126 anos, só admitiu 13 membros femininos. Fundada em 3 de maio de 1900, ainda não foi presidida por uma mulher. Porém, é pioneira entre suas congêneres, pois elegeu e empossou em 1913 a jornalista Guilly Furtado Bandeira, aos 23 anos, a segunda acadêmica do país. Eurídice Natal e Silva, fundadora da Academia de Goiás, em 1904, foi a primeira mulher a se eleger e dirigir uma Academia de Letras no Brasil. Muito antes da Academia Brasileira de Letras, que empossou a primeira mulher em seus quadros, Rachel de Queiroz, em 1977.


Este ano a APL fez história ao realizar uma roda de conversa com o tema Dignidade humana e cidadania feminina na Amazônia. O encontro inédito reuniu mulheres que ocupam espaços estratégicos de poder e decisão e enfrentam, cotidianamente, os desafios impostos à condição feminina, evidenciando a luta contra a violência e a invisibilidade.


Apesar de maioria absoluta da população brasileira e do eleitorado, mulheres são minorias nos lugares de protagonismo, em todos os setores, e isso inclui a Literatura.


O fato é que em 136 anos de República não se modificaram as enraizadas desigualdades, que são transversais.


Pela primeira vez na história, vozes femininas de liderança dão o tom na APL, discorrendo sobre as angústias diante da perpetuação de um modelo que massacra as mulheres, às quais são atribuídas obrigações e subtraídos os direitos.


A literatura não existe no vácuo; ela é um espelho, um registro e, muitas vezes, uma crítica das questões mais urgentes da humanidade. A presença feminina é constante, passando de musas inspiradoras a protagonistas e autoras fundamentais. Desde o Romantismo até o Realismo e a contemporaneidade, a escrita tem sido usada para expor chagas sociais como racismo, escravidão e misoginia. Mesmo quando impedidas de estudar ou publicar, mulheres romperam barreiras, utilizando a literatura para denunciar. A voz feminina é um fio condutor essencial que, ao longo dos séculos, teceu resistência.


O evento da APL tem acesso livre e gratuito. Tod@s são convidados.

Franssinete Florenzano
Jornalista e advogada, membro da Academia Paraense de Jornalismo, da Academia Paraense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo e do Instituto Histórico e Geográfico do Tapajós, editora geral do portal Uruá-Tapera e consultora da Alepa. Filiada ao Sinjor Pará, à Fenaj e à Fij.

Governadora visitou o estande da APL na Feira do Livro

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