Publicado em: 17 de setembro de 2026
A Polícia Federal e a Receita Federal protagonizaram nesta quinta-feira, 17, cenas cinematográficas em Belém do Pará. Cedinho, os agentes visitaram endereços elegantes da cidade, como o apartamento 1802 do Ed. Village Moon, na Av. Visconde (Doca) de Souza Franco, de onde o alvo atirou pela janela seu smartphone e a PF cercou o prédio procurando o aparelho, causando rebuliço entre os transeuntes. Autorizada pelo juiz federal Carlos Chada, titular da 4ª Vara Federal do Pará, a Operação Termidor, com o apoio do Gaeco do Ministério Público Federal, combate esquema criminoso envolvendo furto, receptação e comercialização ilícita do fruto do dendê, além de lavagem de capitais e de ocultação de bens, direitos e valores em torno de R$ 1 bilhão nos últimos quatro anos, incluindo manutenção de patrimônio em nome de terceiros. A PF fez busca e apreensão também nos edifícios Castelo Massino, Malmo, Rio Mino e Lisse, em Belém. O processo ainda está em sigilo, que deve ser levantado após a conclusão dos mandados.
Estão sendo cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão nos municípios paraenses de Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé Açu, além de Indaiatuba (SP). Também foram bloqueados cerca de R$ 153 milhões em bens e valores dos investigados e estão suspensas por tempo indeterminado as atividades econômicas de onze empresas investigadas.
As investigações começaram a partir da apuração da “guerra do dendê”, conflito instalado nos municípios de Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia, região marcada pela monocultura intensiva do dendê e pela presença histórica de comunidades indígenas e quilombolas, na qual se estabeleceu uma estrutura criminosa armada, com apoio de servidores públicos da área de segurança do estado.
No curso das apurações, foram constatados indícios de relevantes irregularidades fiscais, entre elas a incompatibilidade entre a capacidade econômico-financeira declarada e real dos principais alvos, a movimentação de valores incompatíveis com o faturamento mensal das empresas investigadas e a ocorrência de pagamentos habituais a fornecedores ou beneficiários que não apresentavam ligação com a atividade ou ramo de negócio da cadeia econômica do dendê, além da comercialização de mercadorias sem o correspondente registro de entrada nos estoques dessas empresas. Foram, ainda, constatados elementos indicativos de lavagem de capitais, incluindo a constituição de empresas em nome de interpostas pessoas e a manutenção de patrimônio em nome de terceiros.
A atuação da Receita Federal foi fundamental na análise fiscal, patrimonial e financeira dos envolvidos. Os levantamentos apontaram que o grupo movimentou R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026, sem comprovação documental e contábil capaz de justificar parte da origem e destinação dos recursos.
Os documentos e equipamentos apreendidos durante a operação serão submetidos a análises complementares, em conjunto com informações fiscais e bancárias dos investigados, para aprofundamento das apurações.


















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