Publicado em: 27 de julho de 2026
Felipe Ennes Silva, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, recebeu o prêmio Early Career Achievement, concedido pela American Society of Primatologists a cientistas que, no início da carreira, já apresentam contribuições relevantes para o avanço do conhecimento sobre primatas.
Felipe dedicou os últimos anos ao estudo dos uacaris calvos (Cacajao spp.) — macacos encontrados exclusivamente na Amazônia, conhecidos pela face avermelhada, cauda curta e hábitos adaptados às florestas alagadas. Por meio de estudos em genética, ecologia e biologia evolutiva, suas pesquisas revelaram que alterações naturais na paisagem amazônica, como mudanças no curso dos rios ao longo do tempo, influenciaram diretamente a distribuição das populações e a diversidade genética da espécie. Ele continua desenvolvendo estudos de campo sobre a resposta desses primatas às secas extremas na Amazônia.
Uma das frentes mais recentes desse trabalho tenta entender como eventos climáticos extremos afetam a sobrevivência dos uacaris: secas prolongadas modificam a dinâmica dos rios, reduzem áreas de alimentação e podem interferir até na reprodução das populações.

O contato de Felipe com os uacaris começou em 2012, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas. Formado em Ciências Biológicas e mestre em Zoologia pela PUCRS, ele concluiu o doutorado na Universidade de Salford, no Reino Unido. Hoje, além de integrar o Instituto Mamirauá, é professor na New York University (NYU) e já ganhou a Napier Memorial Medal, da Sociedade Britânica de Primatologia, o primeiro latino-americano a conquistar essa honraria.
A conquista reforça que a ciência produzida na Amazônia, muitas vezes em regiões remotas e de difícil acesso, tem impacto global e segue ampliando o entendimento sobre a maior floresta tropical do planeta.










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