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Entre jovens de 16 a 29 anos que trabalham na região Norte, 29% são assalariadas com registro. No Sul, o índice chega a 58%, e no Sudeste, a 55%. A média nacional é de 44%. Os números estão na pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, lançada nesta sexta-feira (21) pela Fundação Itaú, durante o evento Trampos do Futuro, no Pavilhão da Fundação Bienal de São Paulo.

O restante da ocupação juvenil no Norte se distribui entre vínculos mais frágeis. São 19% de assalariadas sem registro, 14% de autônomas ou freelancers regulares e 12% que fazem bicos sem contribuição, contra 15%, 13% e 10% na média do país. Estagiárias e aprendizes remuneradas somam 11% das jovens ocupadas na região, o maior percentual entre as cinco regiões, e o serviço público responde por 9%.

A inserção também é menor por aqui. Na região Norte, 63% das jovens trabalham ou fazem estágio, mesmo índice do Nordeste. No Sudeste são 76%, e a média nacional fica em 70%.

O estudo foi feito em duas etapas. Na fase quantitativa, foram 1.816 entrevistas presenciais com pessoas de 16 a 29 anos, em amostra nacional representativa dessa faixa etária, realizadas entre 11 e 23 de maio de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A fase qualitativa reuniu 16 grupos focais virtuais, com seis a oito participantes cada, de diferentes estratos socioeconômicos. A pesquisa teve apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva. No Norte, a base foi de 352 entrevistas, sendo 229 entre quem estava trabalhando. Não há recorte por estado.

Hoje, 30% das jovens da região Norte dizem que um emprego registrado é o que mais se aproxima do que querem. Quando projetam os próximos cinco anos, o percentual cai para 15%. No mesmo intervalo, o trabalho autônomo sobe de 24% para 41%, e o serviço público, de 14% para 16%.

O movimento acompanha o do país. Nacionalmente, a preferência pelo emprego com carteira cai de 30% para 16%, enquanto a opção por trabalhar por conta própria cresce de 28% para 42%.

Metade das jovens do Norte, 51%, aponta a falta de experiência como principal dificuldade para conseguir trabalho. A concorrência por uma mesma vaga vem em seguida, com 41%, seguida por falta de qualificação ou preparo, 27%, e deslocamento até o trabalho, 25%.

Dois obstáculos aparecem na região acima da média nacional. Montar currículo é citado por 16% das jovens do Norte, contra 11% no país. A falta de dinheiro para transporte, cursos e internet é mencionada por 13%, ante 9% na média nacional, o maior índice entre as regiões.

Diante dessas barreiras, o peso das relações pessoais é quase consensual. Para 96% das entrevistadas em todo o país, conhecer alguém em uma empresa ou ser indicada por familiares e amigos é decisivo para conseguir um emprego. Entre quem trabalha, 77% chegaram à vaga atual por indicação.

A crença na educação formal é mais alta na região Norte do que em qualquer outra. Para 91% das jovens amazônidas, o diploma é importante para conseguir trabalho, percentual que fica em 85% na média nacional e em 80% no Sul.

A valorização, entretanto, não anula a preferência pelo aprendizado prático. Na região, 88% concordam que se aprende mais na prática do que estudando, 90% veem nos cursos técnicos e profissionalizantes um caminho mais rápido para entrar no mercado e 91% acham que essas formações preparam melhor do que o ensino tradicional.

Entre as jovens do Norte que estudam atualmente, 44% estão no ensino superior, 29% no ensino médio e 11% em curso técnico ou profissionalizante. Cursos livres, como idiomas e informática, aparecem para 8% delas, contra 18% na média do país e 23% no Sul.

Quando perguntadas sobre o que um programa de apoio ao trabalho precisaria oferecer, 58% das jovens da região citam cursos com prática. O apoio financeiro em forma de bolsa ou transporte é lembrado por 38% delas, cinco pontos acima da média nacional e o maior índice entre as regiões.

Saúde lidera as áreas em que as jovens do Norte gostariam de trabalhar, com 26%. Comércio e vendas vêm com 23%. Tecnologia, trabalho de escritório e educação empatam em 21%.

O interesse por educação na região supera em cinco pontos a média nacional, de 16%. A diferença é ainda mais nítida na economia verde, citada por 10% das jovens do Norte, contra 6% no país. Transporte e entregas seguem o caminho inverso, com 1% de menções na região e 5% na média nacional.

O uso de ferramentas digitais para aprender é praticamente universal entre as jovens do Norte, com 98%, e a mesma proporção acredita que a tecnologia pode ajudar no crescimento profissional. Ao mesmo tempo, 89% concordam que ela pode substituir muitos empregos nos próximos anos e 53% temem perder oportunidades por causa dela, contra 50% na média nacional.

O receio cresce entre quem tem menos escolaridade e menor renda. No país, chega a 62% entre jovens com ensino fundamental e a 63% na classe D/E, caindo para 39% na classe A/B.

Na região Norte, 93% das jovens acreditam que sua situação financeira estará melhor daqui a cinco anos, e 92% esperam ter condição financeira melhor do que a dos pais, percentuais acima da média nacional, de 91% e 88%.

O otimismo convive com a percepção de que a vida ficou mais dura. Na região, 74% concordam que hoje é mais difícil para as jovens se manterem financeiramente do que foi para seus pais, o maior índice do país, cuja média é de 69%. E 68% têm receio de não conseguir pagar as contas e ter uma vida tranquila no futuro, contra 61% nacionalmente.

O levantamento nacional mostra que raça, gênero, renda e escolaridade organizam o acesso ao trabalho formal. Entre as jovens brancas que trabalham, 49% têm registro em carteira, ante 41% entre negras. Os bicos ocupam 12% da juventude negra e 5% da branca.

Entre quem tem apenas o ensino fundamental, 34% fazem trabalhos informais e bicos. Entre quem chegou ao ensino superior, o percentual é de 3%.

Metade das entrevistadas em todo o país, 50%, se declara responsável por cuidar da casa mesmo tendo trabalho ou estudo. A tarefa recai sobre 60% das mulheres e 40% dos homens. O cuidado com crianças, idosos e outras pessoas é declarado por 21% do total, chegando a 28% entre mulheres e a 14% entre homens.

As que não estudam e não trabalham somam 13% da juventude brasileira. O percentual é de 17% entre mulheres, 9% entre homens e 29% entre quem tem filhos.

O salário é o fator mais importante na escolha de um trabalho para 64% das jovens brasileiras. Benefícios, plano de carreira e ambiente agradável aparecem com 31% cada. Ainda assim, 62% aceitariam ganhar um pouco menos para trabalhar com menos pressão e estresse.

Entre quem trabalha ou já trabalhou, 69% saíram de um emprego por vontade própria. A falta de respeito ou o tratamento inadequado de chefes e lideranças foi citada por 43% dessas jovens. Jornadas longas ou acúmulo de funções somaram 36%, excesso de cobrança por resultados, 32%, ausência de plano de carreira, 28%, e dificuldade de conciliar trabalho e estudo, 16%.

A pesquisa foi apresentada no palco Conexão pelo Observatório Fundação Itaú e pelo Itaú Educação e Trabalho. Criada em 2019, a Fundação Itaú se estrutura em três pilares, Itaú Cultural, Itaú Educação e Trabalho e Itaú Social.

Veja a pesquisa:

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

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