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Os dados são da Organização Mundial da Saúde: mais de 720 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo. É uma das principais causas de morte de jovens entre 15 e 29 anos. Mais do que HIV, malária, câncer de mama ou guerras e homicídios. No Brasil, levantamento da Universidade Estadual de Campinas, utilizado como referência pelo Centro de Valorização da Vida, aponta que 17% dos brasileiros já pensaram em dar fim à própria vida em algum momento. Entre eles, 4,8% chegaram a elaborar um plano. A OMS também apurou que cerca de um bilhão de pessoas em todo o planeta convivem com algum transtorno mental, sendo a depressão e a ansiedade os mais prevalentes. O Brasil ocupa o primeiro lugar na América Latina em transtornos de ansiedade.

Um dos obstáculos para a prevenção está na falsa concepção de que o sofrimento é facilmente reconhecido. Muitas vezes a pessoa continua cumprindo compromissos e segue funcionando, mas essa capacidade de manter a rotina pode mascarar um sofrimento profundo, explicam os especialistas. Rotina acelerada, a cobrança por produtividade, as dificuldades nos relacionamentos, a sobrecarga e a sensação constante de precisar ‘dar conta de tudo’ podem gerar impactos importantes na saúde emocional, alertam psiquiatras, psicanalistas e psicólogos, ponderando que talvez o grande desafio da saúde mental seja que aprendemos a estar disponíveis para tudo, menos para nós mesmos.

O medo do julgamento e a ideia de que se trata de fraqueza ou de que as pessoas deveriam conseguir resolver a situação sozinhas também dificulta o pedido de ajuda. Esse pensamento favorece o isolamento justamente em momentos de maior vulnerabilidade emocional, como rupturas afetivas e conflitos familiares. A presença de alguém que escuta e permanece próximo ajuda. Por outro lado, as redes sociais acabam por intensificar o sofrimento psíquico; muita gente fica se comparando e tem uma percepção distorcida de que os outros são mais bonitos e felizes.

A prevenção precisa ir além da identificação de sinais. O Setembro Amarelo amplia a circulação de informação sobre saúde mental, mas o cuidado precisa existir antes e depois que a campanha termina. Informação qualificada é importante. A possibilidade de pedir ajuda e encontrar alguém disponível para escutar também pode salvar vidas.

Onde buscar ajuda:

CAPS e Unidades Básicas de Saúde (Saúde da família, Postos e Centros de Saúde);
UPA 24H, SAMU 192, Pronto Socorro; Hospitais;
Centro de Valorização da Vida – 188 (ligação gratuita, sob total sigilo, 24 horas todos os dias), a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat, Skype e e-mail .

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