Publicado em: 4 de agosto de 2026
Talvez não exista assunto mais comentado, nesta semana, no Pará, do que um suposto vídeo de sexo de um candidato ao governo estadual. A campanha político-partidária para as eleições 2026 ainda nem começou oficialmente e as redes sociais do eleitorado parauara já foram invadidas por partes íntimas aleatórias performando relações alegadamente extraconjugais. Este não foi o primeiro vídeo protagonizado por alguém que pleiteia o voto popular que foi vazado e dificilmente será o último.
O que vale a pena ser comentado é a “inocência” de quem tornou público um vídeo íntimo – sendo verdadeiro ou não – de um homem achando que teria graves repercussões nas urnas. Em um mundo onde a eficiência sexual sem limites, digamos assim, masculina é definitivamente um fator positivo, só consigo imaginar a possibilidade de ter seu desempenho eleitoral efetivamente prejudicado se as cenas espalhadas pelas redes sociais fossem homoafetivas.
É óbvio que se a protagonista do vídeo sexual fosse uma mulher candidata, a coisa tomaria outro tipo de rumo. Como sabemos, no Brasil, a capacidade de gestão pública de uma mulher geralmente é medida por sua aparência física, seu estado civil e sua sexualidade. E, se for adúltera, pode esquecer cargo público, afinal a ligação direta entre fidelidade matrimonial com a competência no poder, seja executivo ou legislativo, é incontestável. Aliás, pode esquecer andar na rua com tranquilidade. E nem precisa ir para o município vizinho para saber disso.
Portanto, caras e caros leitores, antes de saírem encaminhando cenas da vida privada de outrem achando que vão prejudicá-lo, saibam que só chateiam pessoas como eu – que não tenho interesse nenhum em consumir conteúdo pornô ou ver genitálias dos outros. Bill Clinton, Fernando Henrique Cardoso e tantos outros, perdoados publicamente por suas companheiras, estão aí para provar este ponto.
Usemos o nosso tempo online para verificarmos a história e as capacidades de quem iremos confiar os nossos votos em outubro. A propósito, quero deixar uma dica: confiram o Deputômetro (clique aqui), um painel de monitoramento das 513 deputadas e deputados federais criado pela Agência Lupa para ampliar a transparência e facilitar o acesso à atividade parlamentar, reunindo informações públicas da atual legislatura, de 2023 a 2026, coletadas no Portal de Dados Abertos da Câmara dos Deputados e no Portal Brasileiro de Dados Abertos, da União. Para usar os painéis, basta escrever o nome da deputada ou do deputado na barra de pesquisa e, no painel de projetos e votações, também é possível buscar pelo número do projeto de lei.










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