0
 

“O que Você Tem na Cabeça”, espetáculo infantil da Paracuru Companhia de Dança, tem sessões nesta terça (29) e quarta-feira (30), às 19h, no Espaço Experimental de Dança, em Belém. Na quarta, a companhia cearense faz uma segunda apresentação às 21h, na Casa das Artes, ao lado da Basílica Santuário de Nazaré. A passagem pela capital parauara inclui a palestra “A decolonização do ensino do balé no Brasil”, uma oficina e o lançamento do livro “Balé Passo a Passo”.

É a primeira vez que o grupo, criado em Paracuru, no litoral do Ceará, dança nas cidades do Norte. A turnê começou em São Luís (MA) e segue até 3 de outubro por Macapá (AP), Manaus (AM) e Rio Branco (AC), com recursos do Programa Funarte de Difusão Nacional 2025.

“Fazer essa circulação no Norte tem dois sentidos: primeiro que a gente acha que é o lugar onde se precisa mais circular com bens simbólicos, com projetos artísticos, porque é uma região muito grande, muito distante dos grandes centros criadores”, afirma Flávio Sampaio, fundador da companhia. O segundo motivo, segundo ele, é justamente a estreia do grupo nessas capitais.

A coreografia é de Jorge Garcia, do Balé da Cidade de São Paulo. O balé nasceu para a Bienal Criança, evento realizado no Ceará, e cruza o universo do Menino Maluquinho com folguedos e manifestações do Nordeste em que dançarinas e brincantes levam objetos na cabeça, como a panela que o personagem usa. “A gente quis juntar a ideia do livro Menino Maluquinho, do Ziraldo, e prestar essa homenagem a ele no ano de 2024, quando ele faleceu”, conta Sampaio.

Daí vem a pergunta do título. A montagem convida o público a pensar no que vale a pena carregar na cabeça.

“É um espetáculo direcionado às crianças, com uma trilha musical maravilhosa que faz a criança dançar e entender o que é a dança”, descreve o fundador. O trabalho já foi apresentado em Cabo Verde e em Portugal, mas só agora circula pelo Brasil. No fim de outubro, segue para Xangai, na China.

A agenda formativa começa às 9h desta terça, no Espaço Experimental de Dança, com a palestra “A decolonização do ensino do balé no Brasil”, voltada a professoras e bailarinas. Às 10h, a companhia conduz a oficina “O balé em corpos brasileiros” no espaço da professora Waldete Brito, aberta a alunas, bailarinas e professoras, sobretudo às que usam o balé clássico como base para outras danças.

Em São Luís, a discussão sobre métodos de ensino rendeu trocas com artistas locais, relata Sampaio. Ele questiona a aplicação direta de metodologias europeias em um país de corpos tão distintos. “Nós somos o país mais diversificado do mundo, então às vezes ao aplicar metodologias europeias a gente deixa de atender algumas pessoas que têm corpos diferenciados. Dançar é desejo, então encontrar o desejo em diversos corpos é quase um dever do professor, pois deve fazer essa análise de que o balé pode ser dançado por corpos diversos e por diversas culturas e diversas formas corporais”, defende.

A Paracuru Companhia de Dança atua há mais de duas décadas com criação, formação de bailarinas e bailarinos e difusão da dança produzida longe dos grandes centros culturais.

Serviço

Espetáculo “O que Você Tem na Cabeça”

29 de setembro (terça-feira), às 19h, no Espaço Experimental de Dança, Rua Domingos Marreiros, 1775

30 de setembro (quarta-feira), às 19h, no Espaço Experimental de Dança, e às 21h, na Casa das Artes, Rua D. Alberto Gaudêncio Ramos, 236, Nazaré, ao lado da Basílica Santuário, Belém (PA)

Palestra “A decolonização do ensino do balé no Brasil”

29 de setembro, às 9h, no Espaço Experimental de Dança

Público: professoras de balé e bailarinas

Oficina “O balé em corpos brasileiros”

29 de setembro, às 10h, no Centro Experimental de Dança Waldete Brito

Público: alunas, bailarinas e professoras

Lançamento do livro “Balé Passo a Passo”

Mais informações: (91) 98182-7713

Foto em destaque: Paracuru Companhia de Dança / Divulgação

Gabriella Florenzano
Cantora, cineasta, comunicóloga, doutoranda em ciência e tecnologia das artes, professora, atleta amadora – não necessariamente nesta mesma ordem. Viaja pelo mundo e na maionese.

Bispo de Bragança desmaiou e sofreu convulsão mas passa bem

Previous article

IV Congresso Estadual das Apaes debate autismo e deficiência intelectual em Belém

Next article

You may also like

Comments