Publicado em: 14 de setembro de 2026
Só de janeiro a julho de 2026, as Varas de Combate à Violência Doméstica Contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Pará receberam 25.185 novos processos. Em média, são 118,8 ações por dia, conforme o Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça. Em todo o Brasil, foram ajuizados 742.279 novos processos até julho de 2026, média de 3.501 por dia.
O mais grave é que os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. A subnotificação impede que as estatísticas mostrem a real magnitude do problema. Milhares de episódios não são denunciados, por medo, dependência financeira ou emocional, vergonha e falta de uma rede de apoio. Muitas vítimas também demoram a reconhecer a violência quando ela não envolve agressões físicas.
É importante que as mulheres percebam a espiral da violência antes que ela resulte no feminicídio. Há sinais que precisam ser notados e que muitas vezes são normalizados. No início o agressor fica irritado por coisas insignificantes, xinga e tem acessos de raiva. Esmurra a parede, chuta o balde. Faz piadas ofensivas, chantagem, conta mentiras, mostra ciúme excessivo, ignora ou despreza a parceira. Depois controla, proíbe, intimida, humilha em público e desqualifica. As ofensas, o desrespeito e a intimidação pioram, ele persegue, isola de amigos e familiares e culpa a mulher. Passa a fazer ameaças com armas, ameaças de morte, destruição de bens e agressões físicas, inclusive contra os filhos. Daí em diante vem espancamento, sequestro, cárcere privado, estupro, mutilação e homicídio.
A cada ciclo, o agressor mostra arrependimento, pede perdão, é carinhoso e promete mudar. Depois, recomeça.
É importante que as mulheres entendam que a violência não é só física, mas também psicológica, patrimonial, moral e vicária. A Lei Maria da Penha protege quem se identifica com o gênero feminino, incluindo mulheres cisgênero, transgênero e transexuais, pode ser aplicada a cônjuges, companheiros, namorados (atuais ou ex), parentes ou pessoas da mesma unidade doméstica, vizinhos e conhecidos, mesmo que não haja relação afetiva ou parentesco com o agressor.
Em caso de risco imediato, a orientação é procurar um local seguro e acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia e informa sobre os serviços de atendimento disponíveis. É possível, ainda, fazer BO pelo site da delegacia virtual, há um espaço específico para os relatos de violência de gênero. A vítima pode procurar a Defensoria Pública e o Ministério Público também.
Mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas são importantes meios de prova.










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