Publicado em: 1 de outubro de 2026
Para iniciar no tema, preciso esclarecer uma posição pessoal: a democracia é um valor! Dito isto, nas eleições de 2022, e desde seu início tínhamos muito claro, até pelo histórico de vida de Lula e Bolsonaro, que um era claramente alinhado com o jogo da política e das eleições, perder e ganhar, e outro claramente adepto e admirador do golpe de 1964, e de um de seus mais conhecidos torturadores, Carlos Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-CODI em São Paulo, que vinha a ser o órgão encarregado da repressão a grupos de oposição à ditadura militar.Um com histórico de militância política iniciada em momentos sombrios de nossa história no sindicato dos metalúrgicos no ABC paulista, e até então duas vezes presidente e uma vez deputado federal, e o outro com histórico de exortação ao regime militar, misoginia, a favor da pena de morte e claramente contra a liberdade de opção sexual, isso para falar o básico.
Certo é que tivemos àquela altura dois candidatos completamente diferentes ideologicamente na corrida presidencial. Bolsonaro, na pandemia da Covid 19, revelou de vez quem era: autoritário, negacionista e indiferente ao sofrimento humano. Lula, por sua vez, uma velho conhecido do eleitorado brasileiro, pelo gosto por projetos sociais de transferência de renda para pessoas em situação de vulnerabilidade e pelos programas de acessos à educação.
Apesar de ambos terem disputado todas as eleições do período democrático iniciado em 1988 com a Constituição, Bolsonaro, desde sua candidatura à Presidência da República em 2018, apontava desconfiança com o processo eleitoral brasileiro, que surpreendentemente escalou ao ponto de denunciar publicamente a embaixadores, em reunião por ele convocada, que o sistema não era seguro.
Seus seguidores foram levados por ele próprio a divulgarem Fake News sobre a pandemia e a fragilidade da segurança da urna eletrônica, isso somente para falar deste dois temas.
Já Lula, quando perdeu eleições, e não foram poucas, 1990 para Fernando Collor de Melo, 1994 e 98 para FHC, as duas primeiras na época da votação em cédula, nunca atacou o sistema e nem incitou os seus apoiadores a contestar o resultado da eleição.
Aliás, sobre a segurança da votação eletrônica, não há registro sob um posicionamento negativo dela. Em seus governos sempre esteve à frente de campanhas nacionais de vacinação e também não há registro de negacionismo.
O desfecho da história política de Bolsonaro foi com a condenação pelo STF pelos crimes de Organização Criminosa, Tentativa de Abolição do Estado Democrático de Direito e Tentativa de Golpe de Estado, a 27 anos e 3 meses de prisão, o que por consequência veio a encerrar a sua vida política.
Em 2026 novamente estamos diante de dois extremos, de um lado Lula, que disputa a sua sétima eleição presidencial, e por isso bastante conhecido do eleitor brasileiro, e de outro, Flávio Bolsonaro, sim, o 01 do clã dos bolsonaros e escolhido pelo pai.
Como quem puxa aos seus não degenera, tem o mesmo perfil político de Jair Bolsonaro, e no ponto, entre as convenções e o início da campanha eleitoral, na presença de embaixadores atacou a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Parece até brincadeira, mas é a pura verdade.
Desde quando se lançou à disputa presidencial, como o pai, vem colecionando crises políticas, por ele mesmo provocadas, acabou ficando isolado por partidos do centrão e se lançou candidato em chapa pura, ante a ausência de interesses de aliados em ombreá-lo.
A última foi por conta de um vídeo do humorista Antonio Tabet, que sem mencionar o nome de ninguém tratou do tema Milicianos, e na sequência o 01 vestiu a carapuça e foi ao Judiciário Eleitoral requerer a retirada do ar da postagem.
O cenário nos indica que, mais uma vez, estamos diante de um filme que já vimos, e que novamente o valor democracia tem que ser o grande norte de nossas escolhas.
Só temos um candidato do campo da democracia, e não é só mais um Silva!




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