Publicado em: 21 de setembro de 2026
Algo muito comum no processo eleitoral é a existência de atores fora do mundo da política, e toda eleição é assim. Aliás, somos testemunhas vivas dessa realidade brasileira, eleição após eleição. Em 2026, tínhamos o Caso INSS, Lulinha e Vorcaro como personagens externos, mas chegamos ao dia 15 de setembro, quando o STF iniciou o julgamento do Caso Moraes x Vorcaro. O Caso Master já vinha em uma crescente, mas a sessão e, principalmente, o levantamento do sigilo dos vários inquéritos, trouxe para o distinto público o conhecimento da seletividade com que o ministro André Mendonça administrava em seu gabinete a nitroglicerina pura tinha sob sua relatoria.
A lógica do ministro, que se revelou clara, era a seguinte: os inquéritos que prejudicavam o governo Lula avançavam com a força do vento e com vazamentos seletivos e precisos, já os de interesse do Clã Bolsonaro caminhavam com a velocidade de uma tartaruga e, claro, sem vazamentos. A estratégia ficou clara quando vieram à tona e com provas as relações do ministro Kássio Nunes Marques e seu filho, um bem sucedido advogado com três anos de formado, que prestou consultoria ao Master pela bagatela de R$500.000,00 mensais.
E isso sem contar a mansão alugada para a família do ministro passar o carnaval na Cidade Maravilhosa e do aporte financeiro para uma diversão noturna ao custo de R$10.000,00 (no carnaval, tudo fica mais caro). O certo é que, ao jogar a Corte Constitucional de nosso país às feras, com uma investigação sem autorização do Plenário da Casa para investigar ministro, como indica o regimento, Mendonça pensou em atrair para si e para os seus o gosto popular e jogar a crise do STF por ele catapultada no colo do presidente Lula. A malsinada estratégia logo foi descoberta e o distinto público percebeu que sua movimentação era a de um apoiador de candidatura presidencial ao ponto de ser chamado pelo ministro Gilmar Mendes de “pixuleco eleitoral”.
Nossa democracia, no auge dos seus 38 anos, já passou por vários sacolejos e o último, quase fatal, uma tentativa de golpe que chegou perto de nos tirar um valor de suma importância para qualquer sociedade: a liberdade! Agora, estamos diante de um novo cenário no processo eleitoral, uma vez que a maior Corte de nosso pais foi arrastada por um de seus membros para o epicentro do certame, fato nunca antes visto em nossa história.
O tumulto causado pelo Ministro atingiu diretamente o processo eleitoral, que já se encontra em sua quadra mais quente (setembro), causando um acirramento, se é que precisava, em uma eleição polarizada em que temos dois grupos bastante distintos, que colocam no jogo eleitoral dois afetos: medo e esperança, exatamente na forma construída pelo filosofo Espinoza no século 17. O medo conduz a tirania (ditadura) e a esperança à democracia.
Passado o dia 15, somos testemunhas cotidianas de tudo o que constam nos inquéritos que apuram todo o envolvimento com os primeiros escalões da República de um “banqueiro” que tinha nas dádivas que gentilmente oferecia a sua maior arma para tocar a sua pirâmide financeira. A medida que a imprensa vasculha o mar de documentos e fotos ficamos incrédulos assistindo como trabalhava a máquina de fazer dinheiro de Vorcaro. Atenção é o que reclama o momento, para que, após a cortina de fumaça jogada em nossas faces, possamos distinguir o joio do trigo!




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